quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Transformação Prática

Todo cristão almeja que chegue logo a ocasião quando nossos corpos serão transformados. Principalmente aqueles que suportam doenças ou se fadigam por causa da idade avançada têm essa esperança. Realmente é maravilhoso saber que este corpo que, por causa do pecado, facilmente se deteriora em corrupção, ignomínia, fraqueza e que é animal (ou “natural”), ressuscitará incorruptível, glorioso, cheio de vigor e espiritual (I Co 15: 42-44)! Esta verdade nos faz esperar ardentemente “o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu eficaz poder de sujeitar também a Si todas as coisas” (Fp 3:20, 21).

De fato, é muito bom pensar no futuro e saber que a transformação do corpo é certa e completa. Entretanto, há outra transformação relacionada ao nosso corpo que deve ser uma realidade presente. Refiro-me à transformação moral e espiritual que, sendo realizada no interior, achará expressão no exterior.

Quando estudamos o significado e as ocorrências da palavra grega metamorphoõ, aprendemos sobre a transformação que deve haver no caráter e conduta do cristão. Esta palavra grega deu origem à nossa palavra em português metamorfose, e quer dizer “mudar em outra forma”. Ela ocorre apenas quatro vezes no Novo Testamento, sendo duas vezes nos Evangelhos e duas vezes nas epístolas. Nas duas ocorrências dessa palavra nos Evangelhos, ela é traduzida por “transfigurou-Se” e se referem à transfiguração do Senhor Jesus (Mt 17:2; Mc 9:2). Nas duas ocorrências nas epístolas é traduzida por “transformados” (“transformai”, em algumas versões), e se referem à mudança interna e externa em que os salvos devem se submeter (Rm 12:2; II Co 3:18). Neste estudo, vamos considerar principalmente a sua ocorrência em Rm 12:2, procurando entender a vontade de Deus quanto a nossa metamorfose.

Transformação do padrão do mundo (Rm 12:1, 20).
Não é difícil perceber o contexto em que a palavra transformados (metamorphoõ) aparece aqui. Neste texto de Rm 12:1-2, aprendemos como o nosso corpo deve expressar transformação. A preposição “pois”, no começo do primeiro versículo, indica que as verdades do Evangelho, apresentadas nos capítulos anteriores, devem causar efeito prático e presente. Três vezes neste capítulo é usada a palavra “corpo”. A primeira se refere ao corpo do cristão que deve ser oferecido a Deus (v. 1), a segunda se refere à multiplicidade de um corpo (v. 4) e a terceira mostra que, coletivamente, todos formamos um só corpo em Cristo e, individualmente, todos somos membros uns dos outros (v. 5).

O corpo em relação a Deus (v.1) – consagração.
A transformação deve ser completa. A mudança começa na mente, quando o homem muda completamente seu pensamento sobre Deus e a respeito de si mesmo, e a prova dessa mudança de mente (causada pelo Evangelho) é vista no corpo. Com a mente mudada, o cristão deve apresentar seu corpo a Deus como sacrifício, sob três aspectos:

a) Sacrifício vivo. A Lei exigia que a vítima de um sacrifício morresse em lugar de seu representante. Era um sacrifício morto. Nós, porém, estamos mortos para a Lei, “para viver para Deus”, como disse Paulo, “e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim, e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus” (Gl 2:19-20). Deus quer um sacrifício vivo. Alguém pode estar bem disposto a dar a sua vida como um mártir, mas quantos estão dispostos a viver, todos os dias, por Cristo?

b) Sacrifício santo. Esta palavra “santo” quer dizer, simplesmente, “separado”. O cristão deve ser um indivíduo separado do pecado e do mundo com seu curso. Mas não é somente separado do pecado e do mundo, deve ser separado paraDeus. Ou seja, Deus não quer que nossos corpos sejam apresentados como instrumentos ao pecado; Deus quer que nossos corpos sejam apresentados a Ele, como instrumentos de justiça, pois somos vivos dentre os mortos (Rm 6:13). Na Bíblia santificação não é simplesmente “separar-se de”, é também “separar-se para”. Não basta separar-se da atração do mundo e dos desejos da carne; é necessário começar a servir a Deus.

c) Sacrifício agradável. Posicionalmente Deus nos fez “agradáveis a Si no Amado” (Ef 1:6). Na prática, porém, precisamos viver de modo agradável a Ele. Enquanto estávamos na carne não podíamos agradar a Deus. Porém, não estamos mais na carne, mas no Espírito (Rm 8:8, 9). Nosso andar, portanto, deve ser condizente com a nossa posição. Andar neste mundo de qualquer maneira não representa um sacrifício agradável a Deus. O Senhor Jesus não procurava agradar a Si mesmo, Ele fazia sempre o que agrada ao Pai (Jo 8:29; Rm 15:3). Portanto, seguindo o exemplo do Senhor Jesus, “retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade” (Hb 12:28).

Além destes três aspectos, aprendemos que a consagração do nosso corpo é

d) Culto racional. Apresentar o corpo, de acordo com os três aspectos que vimos acima, não deve ser um sacrifício isento de raciocínio. Ao contrário, deve ser um “culto racional”. O comentário de W. E. Vine é importante: “O sacrifício deve ser inteligente, em contraste com os oferecidos por ritual e compulsão; a apresentação deve estar em conformidade com a inteligência espiritual daqueles que são novas criaturas em Cristo e estão cientes da ‘compaixão de Deus’” (Dicionário Vine, pág. 922). Deus quer que nossos corpos sejam apresentados a Ele com inteligência. Não devemos servir a Deus simplesmente porque é “moda” fazer isso. Devemos servi-Lo por entender ser esta a Sua vontade.

Como será que Deus está vendo nosso andar aqui no mundo? Será que nossos corpos têm sido uma consagração de sacrifício vivosanto e agradável a Ele? E, se prestamos algum sacrifício a Deus com nossos corpos, será que o fazemos de modo inteligente, e não por mera compulsão?

Por que você se veste do jeito que se veste? É moda vestir assim ou você entendeu que o Evangelho transforma e essa é a melhor forma de um vestir consagrado a Deus? Por que você usa o vocabulário que usa? Porque todo mundo fala assim? A Bíblia diz que a sua palavra deve ser sempre agradável para saber como convém responder a cada um”; e, além disso, da sua boca não deve sair nenhuma palavra torpe, mas “só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Cl 4: 6; Ef 4:29).

Enfim, por que você é o que é e faz o que faz? Você age assim porque teme ser diferente? Você deve ser o que é e fazer o que faz por ter entendido, de modo espiritualmente inteligente, que “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co 10:31)!

Conclusão
Nossos corpos são preciosos para Deus. O corpo é dEle (I Co 6:19, 20), e deve ser apresentado a Ele de modo sábio, inteligente. Servir a Deus neste mundo de qualquer jeito não representa um “culto racional”.

Que Deus nos dê a graça para consagrarmos nossos corpos a Ele. Que sejamos como Isaque, que enquanto seu corpo era consagrado, não falou nenhuma palavra contrária; apenas se submeteu!

O corpo em relação ao mundo (v. 2) - transformação
Neste versículo há dois aspectos apresentados:positivo e negativo. Antes, porém, de pensar nestes aspectos, creio ser importante definir a palavra mundo. “A palavra para ‘mundo’ (aion, ‘era’) indica as características da humanidade, moral ou não, em qualquer época” (Comentário Ritchie, vol. 6, pág. 345). Esta palavra não deve ser confundida com outros sentidos de mundo. Por exemplo, Deus amou o mundo (Jo 3:16), mas somos exortados a não amar o mundo (I Jo 2:15). Não há contradição. O primeiro é o mundo pessoas, o segundo é o mundo organizado em corrupção e imoralidade. Há também o mundo habitável (Rm 1: 20, etc.). Aqui, em Rm 12:2, a palavra tem o sentido de seguir a moda, o “curso deste mundo” (Ef 2:2).

a) O primeiro aspecto — negativo.
O primeiro aspecto mostra que não devemos nos conformar com este mundo. A palavra “conformar”, aqui, é a tradução de suschematizõ, e tem o sentido de “amoldar uma coisa com a outra”. Ela ocorre apenas duas vezes no NT, aqui e em I Pe 1:14, onde a Versão Atualizada traduz “não voz amoldeis”. Segundo W. E. Vine, essa palavra “tem referência mais especial ao que é transitório, mutável, instável…” (Dicionário Vine, pág. 493). Isto concorda com o que a Bíblia ensina sobre o mundo: “E o mundo passa …” (I Jo 2:17).

Este mundo está caminhando para um processo de destruição; caminha a passos largos para o auge da corrupção moral e pagã; seu fim não tarda em chegar. Entendendo esta verdade, não podemos tomar o mundo como padrão para nós. Não podemos nos amoldar ao que é transitório, mutável, instável. Não importa qual seja a última moda lançada ou o novo costume adotado, o padrão do mundo não deve ser o objetivo para os salvos. As características percebidas no mundo não devem ser as mesmas percebidas nos cristãos. Devemos ser diferentes em todos os aspectos. As palavras sujas que muitos de nós costumávamos falar não devem fazer parte do nosso vocabulário agora (Cl 4:6, etc.). As vestes que antes eram desenhadas no corpo para atrair a atenção e produzir inveja, etc., não devem mais fazer parte do nosso “guarda-roupa” (I Tm 2:9-10, I Pe 3: 2-5). Os propósitos que antes ocupavam nossa mente somente para as coisas desta vida devem, agora, ser direcionados para fins elevados e eternos (Cl 3:1-4). Em suma, uma nova criatura deve ter novos hábitos e demonstrar nova conduta neste mundo.

A carta aos Efésios destaca o andar característico do mundo e o andar que deve ser uma característica dos salvos. Lemos que noutro tempo andávamos “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef 2:2). É assustador pensar que, enquanto seguíamos naturalmente o curso deste mundo, fazendo simplesmente “o que todo mundo faz”, o próprio Satanás (“príncipe das potestades do ar”) é quem controlava o costume em que estávamos! E não somente isso, “todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (v. 3). A carne (a natureza perversa que habita em nós) em união com nossos pensamentos seguia diligentemente os hábitos ditados pelo diabo. Éramos verdadeiros escravos do sistema do mundo!

b) O segundo aspecto — positivo.
Se o primeiro aspecto mostra que o cristão não deve amoldar-se ao mundo, o segundo aspecto mostra que o cristão deve mostrar em sua vida a transformação do Evangelho. A palavra “transformados”, como vimos na introdução, é a tradução de metamorphoõ, e a única outra vez que ela ocorre nas epístolas é em II Co 3:18 (as outras duas estão nos Evangelhos). Comparando estas ocorrências, percebemos que em Romanos a Bíblia enfatiza com quem não devemos parecer — o mundo; e II Coríntios enfatiza com Quem devemos parecer — com Cristo. Quanto menos nos amoldamos aos padrões deste século e contemplamos a glória do Senhor, somos “transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”.

É importante lembrar, porém, que o poder e os recursos para a mudança não são nossos. As quatro ocorrências de metamorphoõ estão na voz passiva (no grego), indicando que não somos nós quem efetuamos a mudança, nós a sofremos. A ideia não é que quando nos esforçamos ao máximo conseguimos nos transformar. É o contrário. Como diz II Co 3:18, somos transformados pelo Espírito do Senhor. É quando nos submetemos ao controle do Espírito Santo que a mudança ocorre. Compare isso com outro exemplo: não somos nós quem produzimos o fruto do Espírito, mas quando andamos em Espírito, Ele produz o Seu fruto em nós (Gl 5:16, 22, 25). Da mesma forma, não somos nós que produzimos a transformação, mas se somos controlados pelo Espírito Santo (esta é a ideia em Ef 5:18), então Ele vai produzir.

Antes éramos escravos do sistema do mundo; hoje, pela graça soberana de Deus, Ele nos capacita a viver diferentemente do nosso andar anterior. Em Ef cap. 4, somos exortados a não andar mais “como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente” (veja a lista triste que caracteriza o homem natural nos versículos 17-19). Ao contrário, “quanto ao trato passado vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (veja a lista exemplar que deve caracterizar o novo homem nos versículos 20-32).

O Evangelho salva e liberta da escravidão do pecado. Mas, além disso, o Evangelho transforma. Fomos salvos ao ouvir o Evangelho e crer no Senhor Jesus, e somos transformados ao deixar as antigas práticas que nos caracterizavam antes de crer. Esta mudança deve se visível. W. E. Vine, falando sobre a transformação dos crentes diz: “… sendo a obrigação serem submetidos a uma mudança completa, a qual, sob o poder de Deus, encontrará expressão no caráter e na conduta” (Dicionário Vine, pág. 1031). Outro expositor, F. E. Estallan, diz: “O apóstolo conclama por uma transformação. Isto sugere uma mudança interior de tal natureza que uma manifestação exterior será o resultado” (Comentário Ritchie, vol. 6, pág. 345). É isto que o Evangelho causa. A mudança interna será tão radical e completa, que o exterior sofrerá mudanças perceptíveis.

Há muitos homens e mulheres na Bíblia que ilustram muito bem a transformação que o Evangelho causa na vida. Olhando, por exemplo, para os Evangelhos, podemos ver a transformação que ocorreu na vida do homem que era “cego de nascença”, mas que foi encontrado pelo Senhor e teve sua vida transformada (Jo 9). Ou olhando para o livro dos Atos, podemos ver o exemplo de transformação que ocorreu na vida de Paulo, aquele que, sendo perseguidor do Evangelho, tornou-se perseguido por causa do Evangelho (At 9:1-30). Ou quem sabe ainda olhando para as Epístolas, podemos ver a transformação na vida de Onésimo, um escravo fugitivo (e talvez até ladrão) que foi salvo e transformado em servo útil (Fm vs. 10-18).

O Evangelho não apenas salva, ele transforma!

A mente em relação ao corpo - renovação
A transformação que tratamos acima, diz Rm 12:2, é “pela renovação do vosso entendimento”. A renovação que acontece na mente é vista através do corpo. Se a mente passou pelo processo de renovação, então o corpo será o veículo pelo qual esta verdade se mostrará.

A palavra “entendimento” (“mente”, na Atualizada) é traduzida de nous, que ocorre 24 vezes no NT. Ela é traduzida de várias formas, tais como “entendimento” (Lc 24:45), “sentimento” (Rm 1:28), “mente” (I Co 2:16), e indica a parte do nosso ser que é capaz de pensar, onde se encontra a inteligência, o raciocínio. Analisando o NT, vemos que antes de crer, nossa mente era completamente obscura, sem a luz do Evangelho, mas quando cremos, fomos iluminados.

Um homem se veste, fala e se comporta de acordo com sua mente. Não é de se admirar, portanto, que um incrédulo não concorda com o viver cristão. Ele não o entende. Embora possa ser muito inteligente, não sabe das razões espirituais que levam um filho de Deus a se vestir, falar e se comportar daquele jeito. Pedro diz que eles “acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução” e, por isso, falam mal “blasfemando de vós” (I Pe 4:4). Eles não entendem e não concordam que um cristão não se envolva nos mesmos programas imorais, por isso blasfemam. O descrente pode até blasfemar e zombar do cristão, mas até que seja iluminado, jamais chegará à compreensão espiritual que o cristão tem.

II Co 4:3, 4 mostra a condição do homem sem Deus. Nestes versículos, Paulo está falando dos descrentes. Naturalmente, os incrédulos andam cegados. O “deus deste século” ou seja, Satanás, “cegou o entendimento dos incrédulos para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. Não são os olhos deles que estão cegados, é o entendimento. Embora os homens na sua condição natural sejam dotados de grande inteligência, não podem passar disso. Há muitos homens que dominam muitas matérias; homens que ficaram conhecidos por dominar o conhecimento científico, matemático, histórico, linguístico, etc., mas que nunca chegaram a entender o Evangelho. A mente inteligente deles não lhes garante entender o que é mais importante, o Evangelho da glória de Cristo. Mesmo que um incrédulo, na sua incredulidade, quisesse compreender as verdades de Deus ele não poderia, porque lhe parecem loucura e elas se discernem espiritualmente (I Co 2:14).

Ef 1:18 mostra a condição do homem com Deus. “Tendo iluminado os olhos do vosso entendimento” (ou “coração”), tendo ouvido o Evangelho e depositado fé no Senhor Jesus, oentendimento foi iluminado. Agora podemos compreender muita coisa que antes pareciam loucura para nós. O incrédulo não as entende, e nem as aceita. Mas nós as entendemos e aceitamos, porque “nós temos a mente de Cristo” (I Co 2:16).

E é por meio desta luz que devemos viver. “Transformais-vos”, diz Paulo, “pela renovação da vossa mente” (ARA). Nossa mente não é mais a mesma. O que antes era escuro, sem qualquer compreensão espiritual, agora é claro, com os olhos do entendimento iluminados pela luz do Evangelho. O que antes não entendíamos, agora podemos entender. O Espírito Santo, que “penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” e que habita em nós, nos revela (I Co 2:10-12). É Ele quem deve governar nossa mente agora. Antes, Satanás nos cegava; agora, o Espírito Santo nos ilumina. Agora podemos e devemos abrir diariamente nossas Bíblias e pedir a direção de Deus para entendê-la. E conforme Deus for nos ensinando pela Sua Palavra, devemos mudar e amoldar nosso viver à Sua revelação.

Fazendo isso, teremos a experiência de saber qual seja a vontade de Deus. Ela se mostrará como

a) Boa. A transformação nos mostrará que a vontade de Deus é sempre boa, nunca má. Ela sempre nos trará benefícios. Pode ser que não entendamos agora a razão de Deus nos mandar fazer alguma coisa, mas sempre teremos a confiança que Seus propósitos tem por finalidade o nosso bem (Jr 29:11).

b) Agradável. A transformação nos mostrará que a vontade de Deus é sempre prazerosa. Descobrimos que há prazer na Palavra do Senhor, e nela procuraremos meditar de dia e de noite (Sl 1:2). Ao contrário de trazer tristeza e pesar, a vontade do Senhor nos trará alegria e prazer.

c) Perfeita. A transformação nos mostrará que a vontade de Deus é sempre a melhor escolha. Quando queremos alguma coisa, a impressão que temos é que aquilo é o melhor para nós. Basta um pouco de tempo, porém, até descobrirmos que fizemos a escolha errada. Mas quando reconhecemos a Deus em todos os caminhos (Pv 3:5-7), descobrimos que Seu caminho e Sua Palavra são perfeitos (Sl 18:30; 19:7).

Conclusão
No contexto de Rm 12:1-2, há um pedido claro para transformação. Não foi dada uma ordem; foi feito um pedido. Mas levando em consideração as misericórdias de Deus, como não atender a este pedido? Passamos muito tempo apresentando nossos corpos ao pecado, ao mundo e a nós mesmos. Agora que fomos salvos, porém, devemos apresentá-lo a Deus. O mundo continuará nos assediando para seguirmos suas modas, seu curso ditado por Satanás, mas jamais devemos ceder.

Enquanto apresentamos nossos corpos a Deus, devemos fazer isso como um sacrifício vivo, santo e agradável; não morto, imundo e desagradável. Ao fazer isso, estaremos mostrando a consagração que deve ser uma prática normal do cristão, e uma mudança visível será o resultado. Quanto mais apresentamos nossos corpos a Deus, nos parecemos mais com Cristo e menos com o mundo. 

Enquanto andamos nesse mundo, devemos mostrar a transformação que somente o Evangelho de Cristo pode causar. Além disso, nossa mente não é mais a mesma, por isso, pela renovação da nossa mente, temos condições de andar sob a luz do Evangelho.

Que sejam sinceras as palavras do nosso coração quando, agradecidos, cantarmos:

“Que mudança admirável na vida provei.
Pois Cristo minha alma salvou!
Sim, um gozo indizível em Deus alcancei,

Pois Cristo minha alma salvou!”

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