Todo cristão almeja
que chegue logo a ocasião quando nossos corpos serão transformados.
Principalmente aqueles que suportam doenças ou se fadigam por causa da idade
avançada têm essa esperança. Realmente é maravilhoso saber que este corpo que,
por causa do pecado, facilmente se deteriora em corrupção, ignomínia, fraqueza
e que é animal (ou “natural”), ressuscitará incorruptível, glorioso, cheio de
vigor e espiritual (I Co 15: 42-44)! Esta verdade nos faz esperar ardentemente
“o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido,
para ser conforme o Seu corpo glorioso, segundo o Seu eficaz poder de sujeitar
também a Si todas as coisas” (Fp 3:20, 21).
De fato, é muito
bom pensar no futuro e saber que a transformação do corpo é certa e completa.
Entretanto, há outra transformação relacionada ao nosso corpo que deve ser uma
realidade presente. Refiro-me à transformação moral e espiritual que, sendo
realizada no interior, achará expressão no exterior.
Quando estudamos o
significado e as ocorrências da palavra grega metamorphoõ,
aprendemos sobre a transformação que deve haver no caráter e conduta do
cristão. Esta palavra grega deu origem à nossa palavra em português metamorfose,
e quer dizer “mudar em outra forma”. Ela ocorre apenas quatro vezes no Novo
Testamento, sendo duas vezes nos Evangelhos e duas vezes nas epístolas. Nas
duas ocorrências dessa palavra nos Evangelhos, ela é traduzida por “transfigurou-Se”
e se referem à transfiguração do Senhor Jesus (Mt 17:2; Mc 9:2). Nas duas
ocorrências nas epístolas é traduzida por “transformados”
(“transformai”, em algumas versões), e se referem à mudança interna e externa
em que os salvos devem se submeter (Rm 12:2; II Co 3:18). Neste estudo, vamos
considerar principalmente a sua ocorrência em Rm 12:2, procurando entender a
vontade de Deus quanto a nossa metamorfose.
Transformação do padrão do mundo (Rm 12:1, 20).
Não é difícil
perceber o contexto em que a palavra transformados (metamorphoõ) aparece
aqui. Neste texto de Rm 12:1-2, aprendemos como o nosso corpo deve expressar
transformação. A preposição “pois”, no começo do primeiro versículo, indica que
as verdades do Evangelho, apresentadas nos capítulos anteriores, devem causar
efeito prático e presente. Três vezes neste capítulo é usada a palavra “corpo”.
A primeira se refere ao corpo do cristão que deve ser oferecido a Deus (v. 1),
a segunda se refere à multiplicidade de um corpo (v. 4) e a terceira mostra
que, coletivamente, todos formamos um só corpo em Cristo e, individualmente,
todos somos membros uns dos outros (v. 5).
O corpo em relação a Deus (v.1) – consagração.
A transformação
deve ser completa. A mudança começa na mente, quando o homem muda completamente
seu pensamento sobre Deus e a respeito de si mesmo, e a prova dessa mudança de
mente (causada pelo Evangelho) é vista no corpo. Com a mente mudada, o cristão
deve apresentar seu corpo a Deus como sacrifício, sob três aspectos:
a) Sacrifício vivo. A
Lei exigia que a vítima de um sacrifício morresse em lugar de seu
representante. Era um sacrifício morto. Nós, porém, estamos mortos
para a Lei, “para viver para Deus”, como disse Paulo, “e vivo, não mais eu, mas
Cristo vive em mim, e a vida que agora vivo
na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus” (Gl 2:19-20). Deus quer um sacrifício vivo.
Alguém pode estar bem disposto a dar a sua vida como um mártir, mas quantos
estão dispostos a viver, todos os dias, por Cristo?
b) Sacrifício santo. Esta
palavra “santo” quer dizer, simplesmente, “separado”. O cristão deve ser
um indivíduo separado do pecado e do mundo com seu curso. Mas não é somente separado do
pecado e do mundo, deve ser separado paraDeus. Ou seja, Deus
não quer que nossos corpos sejam apresentados como instrumentos ao pecado; Deus
quer que nossos corpos sejam apresentados a Ele, como instrumentos de justiça,
pois somos vivos dentre os mortos (Rm 6:13). Na Bíblia santificação não é
simplesmente “separar-se de”, é também “separar-se para”. Não basta separar-se
da atração do mundo e dos desejos da carne; é necessário começar a servir a
Deus.
c) Sacrifício agradável. Posicionalmente
Deus nos fez “agradáveis a Si no Amado” (Ef 1:6). Na prática, porém, precisamos
viver de modo agradável a Ele. Enquanto estávamos na carne não podíamos agradar
a Deus. Porém, não estamos mais na carne, mas no Espírito (Rm 8:8, 9). Nosso
andar, portanto, deve ser condizente com a nossa posição. Andar neste mundo de
qualquer maneira não representa um sacrifício agradável a Deus. O Senhor Jesus
não procurava agradar a Si mesmo, Ele fazia sempre o que agrada ao Pai (Jo
8:29; Rm 15:3). Portanto, seguindo o exemplo do Senhor Jesus, “retenhamos a
graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e
piedade” (Hb 12:28).
Além destes três
aspectos, aprendemos que a consagração do nosso corpo é
d) Culto racional. Apresentar o corpo,
de acordo com os três aspectos que vimos acima, não deve ser um sacrifício
isento de raciocínio. Ao contrário, deve ser um “culto racional”. O comentário
de W. E. Vine é importante: “O sacrifício deve ser inteligente, em contraste
com os oferecidos por ritual e compulsão; a apresentação deve estar em
conformidade com a inteligência espiritual daqueles que são novas criaturas em
Cristo e estão cientes da ‘compaixão de Deus’” (Dicionário Vine, pág. 922).
Deus quer que nossos corpos sejam apresentados a Ele com inteligência. Não
devemos servir a Deus simplesmente porque é “moda” fazer isso. Devemos servi-Lo
por entender ser esta a Sua vontade.
Como será que Deus
está vendo nosso andar aqui no mundo? Será que nossos corpos têm sido uma consagração de
sacrifício vivo, santo e agradável a
Ele? E, se prestamos algum sacrifício a Deus com nossos corpos, será que o
fazemos de modo inteligente, e não por mera compulsão?
Por que você se
veste do jeito que se veste? É moda vestir assim ou você entendeu que o
Evangelho transforma e essa é a melhor forma de um vestir consagrado a Deus?
Por que você usa o vocabulário que usa? Porque todo mundo fala assim? A Bíblia
diz que a sua palavra deve ser sempre agradável para saber como
convém responder a cada um”; e, além disso, da sua boca não deve sair nenhuma
palavra torpe, mas “só a que for boa para promover a edificação, para que dê
graça aos que a ouvem” (Cl 4: 6; Ef 4:29).
Enfim, por que você
é o que é e faz o que faz? Você age assim porque teme ser diferente? Você deve
ser o que é e fazer o que faz por ter entendido, de modo espiritualmente
inteligente, que “quer comais quer bebais, ou façais outra
qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co 10:31)!
Conclusão
Nossos corpos são
preciosos para Deus. O corpo é dEle (I Co 6:19, 20), e deve ser apresentado a
Ele de modo sábio, inteligente. Servir a Deus neste mundo de qualquer jeito não
representa um “culto racional”.
Que Deus nos dê a
graça para consagrarmos nossos corpos a Ele. Que sejamos como Isaque, que
enquanto seu corpo era consagrado, não falou nenhuma palavra contrária; apenas
se submeteu!
O corpo em relação ao mundo (v. 2) - transformação
Neste versículo há
dois aspectos apresentados:positivo e negativo. Antes,
porém, de pensar nestes aspectos, creio ser importante definir a palavra mundo.
“A palavra para ‘mundo’ (aion, ‘era’) indica as características da
humanidade, moral ou não, em qualquer época” (Comentário Ritchie, vol. 6, pág.
345). Esta palavra não deve ser confundida com outros sentidos de mundo. Por
exemplo, Deus amou o mundo (Jo 3:16), mas somos exortados a não amar o mundo (I
Jo 2:15). Não há contradição. O primeiro é o mundo pessoas, o segundo é o mundo
organizado em corrupção e imoralidade. Há também o mundo habitável (Rm 1: 20,
etc.). Aqui, em Rm 12:2, a palavra tem o sentido de seguir a moda,
o “curso deste mundo” (Ef 2:2).
a) O primeiro
aspecto — negativo.
O primeiro aspecto
mostra que não devemos nos conformar com este mundo. A palavra “conformar”,
aqui, é a tradução de suschematizõ, e tem o sentido de “amoldar uma
coisa com a outra”. Ela ocorre apenas duas vezes no NT, aqui e em I Pe 1:14,
onde a Versão Atualizada traduz “não voz amoldeis”. Segundo W. E.
Vine, essa palavra “tem referência mais especial ao que é transitório, mutável,
instável…” (Dicionário Vine, pág. 493). Isto concorda com o que a Bíblia ensina
sobre o mundo: “E o mundo passa …” (I Jo 2:17).
Este mundo está
caminhando para um processo de destruição; caminha a passos largos para o auge
da corrupção moral e pagã; seu fim não tarda em chegar. Entendendo esta
verdade, não podemos tomar o mundo como padrão para nós. Não podemos nos
amoldar ao que é transitório, mutável, instável. Não importa qual seja a última
moda lançada ou o novo costume adotado, o padrão do mundo não deve ser o
objetivo para os salvos. As características percebidas no mundo não devem ser
as mesmas percebidas nos cristãos. Devemos ser diferentes em todos os aspectos.
As palavras sujas que muitos de nós costumávamos falar não devem fazer parte do
nosso vocabulário agora (Cl 4:6, etc.). As vestes que antes eram desenhadas no
corpo para atrair a atenção e produzir inveja, etc., não devem mais fazer parte
do nosso “guarda-roupa” (I Tm 2:9-10, I Pe 3: 2-5). Os propósitos que antes
ocupavam nossa mente somente para as coisas desta vida devem, agora, ser
direcionados para fins elevados e eternos (Cl 3:1-4). Em suma, uma nova
criatura deve ter novos hábitos e demonstrar nova conduta neste mundo.
A carta aos Efésios
destaca o andar característico do mundo e o andar que deve ser uma
característica dos salvos. Lemos que noutro tempo andávamos “segundo o curso
deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora
opera nos filhos da desobediência” (Ef 2:2). É assustador pensar que, enquanto
seguíamos naturalmente o curso deste mundo, fazendo simplesmente “o que todo
mundo faz”, o próprio Satanás (“príncipe das potestades do ar”) é quem
controlava o costume em que estávamos! E não somente isso, “todos nós também
antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos” (v. 3). A carne (a natureza perversa que habita em nós) em união
com nossos pensamentos seguia diligentemente os hábitos ditados pelo diabo.
Éramos verdadeiros escravos do sistema do mundo!
b) O segundo
aspecto — positivo.
Se o primeiro
aspecto mostra que o cristão não deve amoldar-se ao mundo, o segundo aspecto
mostra que o cristão deve mostrar em sua vida a transformação do Evangelho. A
palavra “transformados”, como vimos na introdução, é a tradução de metamorphoõ,
e a única outra vez que ela ocorre nas epístolas é em II Co 3:18 (as outras
duas estão nos Evangelhos). Comparando estas ocorrências, percebemos que em
Romanos a Bíblia enfatiza com quem não devemos parecer — o mundo; e II
Coríntios enfatiza com Quem devemos parecer — com Cristo. Quanto menos nos
amoldamos aos padrões deste século e contemplamos a glória do Senhor, somos
“transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do
Senhor”.
É importante
lembrar, porém, que o poder e os recursos para a mudança não são nossos. As
quatro ocorrências de metamorphoõ estão na voz passiva (no
grego), indicando que não somos nós quem efetuamos a mudança, nós a sofremos. A
ideia não é que quando nos esforçamos ao máximo conseguimos nos transformar. É
o contrário. Como diz II Co 3:18, somos transformados pelo Espírito do Senhor.
É quando nos submetemos ao controle do Espírito Santo que a mudança ocorre.
Compare isso com outro exemplo: não somos nós quem produzimos o fruto do
Espírito, mas quando andamos em Espírito, Ele produz o Seu fruto em nós (Gl
5:16, 22, 25). Da mesma forma, não somos nós que produzimos a transformação,
mas se somos controlados pelo Espírito Santo (esta é a ideia em Ef 5:18), então
Ele vai produzir.
Antes éramos
escravos do sistema do mundo; hoje, pela graça soberana de Deus, Ele nos
capacita a viver diferentemente do nosso andar anterior. Em Ef cap. 4, somos
exortados a não andar mais “como andam também os outros
gentios, na vaidade da sua mente” (veja a lista triste que caracteriza o homem
natural nos versículos 17-19). Ao contrário, “quanto ao trato passado vos
despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e
vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que
segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (veja a lista exemplar
que deve caracterizar o novo homem nos versículos 20-32).
O Evangelho salva e
liberta da escravidão do pecado. Mas, além disso, o Evangelho transforma. Fomos
salvos ao ouvir o Evangelho e crer no Senhor Jesus, e somos transformados ao
deixar as antigas práticas que nos caracterizavam antes de crer. Esta mudança
deve se visível. W. E. Vine, falando sobre a transformação dos crentes diz: “…
sendo a obrigação serem submetidos a uma mudança completa, a qual, sob o poder
de Deus, encontrará expressão no caráter e na conduta” (Dicionário Vine, pág.
1031). Outro expositor, F. E. Estallan, diz: “O apóstolo conclama por uma
transformação. Isto sugere uma mudança interior de tal natureza que uma
manifestação exterior será o resultado” (Comentário Ritchie, vol. 6, pág. 345).
É isto que o Evangelho causa. A mudança interna será tão radical e completa,
que o exterior sofrerá mudanças perceptíveis.
Há muitos homens e
mulheres na Bíblia que ilustram muito bem a transformação que o Evangelho causa
na vida. Olhando, por exemplo, para os Evangelhos, podemos ver a
transformação que ocorreu na vida do homem que era “cego de nascença”, mas que
foi encontrado pelo Senhor e teve sua vida transformada (Jo 9). Ou olhando para
o livro dos Atos, podemos ver o exemplo de transformação que ocorreu na
vida de Paulo, aquele que, sendo perseguidor do Evangelho, tornou-se perseguido
por causa do Evangelho (At 9:1-30). Ou quem sabe ainda olhando para as Epístolas,
podemos ver a transformação na vida de Onésimo, um escravo fugitivo (e talvez
até ladrão) que foi salvo e transformado em servo útil (Fm vs. 10-18).
O Evangelho não
apenas salva, ele transforma!
A mente em relação ao corpo - renovação
A transformação que
tratamos acima, diz Rm 12:2, é “pela renovação do vosso entendimento”. A
renovação que acontece na mente é vista através do corpo. Se a mente passou
pelo processo de renovação, então o corpo será o veículo pelo qual esta verdade
se mostrará.
A palavra
“entendimento” (“mente”, na Atualizada) é traduzida de nous, que
ocorre 24 vezes no NT. Ela é traduzida de várias formas, tais como
“entendimento” (Lc 24:45), “sentimento” (Rm 1:28), “mente” (I Co 2:16), e
indica a parte do nosso ser que é capaz de pensar, onde se encontra a
inteligência, o raciocínio. Analisando o NT, vemos que antes de crer, nossa
mente era completamente obscura, sem a luz do Evangelho, mas quando cremos,
fomos iluminados.
Um homem se veste,
fala e se comporta de acordo com sua mente. Não é de se admirar, portanto, que
um incrédulo não concorda com o viver cristão. Ele não o entende. Embora possa
ser muito inteligente, não sabe das razões espirituais que levam um filho de
Deus a se vestir, falar e se comportar daquele jeito. Pedro diz que eles “acham
estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução” e, por
isso, falam mal “blasfemando de vós” (I Pe 4:4). Eles não entendem e não
concordam que um cristão não se envolva nos mesmos programas imorais, por isso
blasfemam. O descrente pode até blasfemar e zombar do cristão, mas até que seja
iluminado, jamais chegará à compreensão espiritual que o cristão tem.
II Co 4:3, 4 mostra
a condição do homem sem Deus. Nestes versículos, Paulo está falando dos
descrentes. Naturalmente, os incrédulos andam cegados. O “deus deste século” ou
seja, Satanás, “cegou o entendimento dos incrédulos para que lhes não
resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”.
Não são os olhos deles que estão cegados, é o entendimento. Embora os
homens na sua condição natural sejam dotados de grande inteligência, não podem
passar disso. Há muitos homens que dominam muitas matérias; homens que ficaram
conhecidos por dominar o conhecimento científico, matemático, histórico, linguístico,
etc., mas que nunca chegaram a entender o Evangelho. A mente inteligente deles
não lhes garante entender o que é mais importante, o Evangelho da glória de
Cristo. Mesmo que um incrédulo, na sua incredulidade, quisesse compreender as
verdades de Deus ele não poderia, porque lhe parecem loucura e elas se
discernem espiritualmente (I Co 2:14).
Ef 1:18 mostra a
condição do homem com Deus. “Tendo iluminado os olhos do vosso entendimento”
(ou “coração”), tendo ouvido o Evangelho e depositado fé no Senhor Jesus, oentendimento
foi iluminado. Agora podemos compreender muita coisa que antes pareciam
loucura para nós. O incrédulo não as entende, e nem as aceita. Mas nós as
entendemos e aceitamos, porque “nós temos a mente de Cristo” (I Co 2:16).
E é por meio desta
luz que devemos viver. “Transformais-vos”, diz Paulo, “pela renovação
da vossa mente” (ARA). Nossa mente não é mais a mesma. O que antes era
escuro, sem qualquer compreensão espiritual, agora é claro, com os olhos do
entendimento iluminados pela luz do Evangelho. O que antes não entendíamos,
agora podemos entender. O Espírito Santo, que “penetra todas as coisas, ainda
as profundezas de Deus” e que habita em nós, nos revela (I Co 2:10-12). É Ele
quem deve governar nossa mente agora. Antes, Satanás nos cegava; agora, o
Espírito Santo nos ilumina. Agora podemos e devemos abrir diariamente nossas
Bíblias e pedir a direção de Deus para entendê-la. E conforme Deus for nos
ensinando pela Sua Palavra, devemos mudar e amoldar nosso viver à Sua
revelação.
Fazendo isso,
teremos a experiência de saber qual seja a vontade de Deus. Ela se mostrará
como
a) Boa. A transformação
nos mostrará que a vontade de Deus é sempre boa, nunca má. Ela sempre nos trará
benefícios. Pode ser que não entendamos agora a razão de Deus nos mandar fazer
alguma coisa, mas sempre teremos a confiança que Seus propósitos tem por finalidade
o nosso bem (Jr 29:11).
b) Agradável. A transformação
nos mostrará que a vontade de Deus é sempre prazerosa. Descobrimos que há
prazer na Palavra do Senhor, e nela procuraremos meditar de dia e de noite (Sl
1:2). Ao contrário de trazer tristeza e pesar, a vontade do Senhor nos trará
alegria e prazer.
c) Perfeita. A transformação nos
mostrará que a vontade de Deus é sempre a melhor escolha. Quando queremos
alguma coisa, a impressão que temos é que aquilo é o melhor para nós. Basta um
pouco de tempo, porém, até descobrirmos que fizemos a escolha errada. Mas
quando reconhecemos a Deus em todos os caminhos (Pv 3:5-7), descobrimos que Seu
caminho e Sua Palavra são perfeitos (Sl 18:30; 19:7).
Conclusão
No contexto de Rm
12:1-2, há um pedido claro para transformação. Não foi dada uma ordem; foi
feito um pedido. Mas levando em consideração as misericórdias de Deus, como não
atender a este pedido? Passamos muito tempo apresentando nossos corpos ao
pecado, ao mundo e a nós mesmos. Agora que fomos salvos, porém, devemos
apresentá-lo a Deus. O mundo continuará nos assediando para seguirmos suas
modas, seu curso ditado por Satanás, mas jamais devemos ceder.
Enquanto
apresentamos nossos corpos a Deus, devemos fazer isso como um sacrifício vivo,
santo e agradável; não morto, imundo e desagradável. Ao fazer isso, estaremos
mostrando a consagração que deve ser uma prática normal do cristão,
e uma mudança visível será o resultado. Quanto mais apresentamos nossos corpos
a Deus, nos parecemos mais com Cristo e menos com o mundo.
Enquanto andamos
nesse mundo, devemos mostrar a transformação que somente o
Evangelho de Cristo pode causar. Além disso, nossa mente não é mais a mesma,
por isso, pela renovação da nossa mente, temos condições de
andar sob a luz do Evangelho.
Que sejam sinceras
as palavras do nosso coração quando, agradecidos, cantarmos:
“Que mudança
admirável na vida provei.
Pois Cristo minha
alma salvou!
Sim, um gozo
indizível em Deus alcancei,
Pois Cristo minha
alma salvou!”
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