Quando Deus mandou construir o
Tabernáculo e deu as instruções sobre seus móveis, não falou nada sobre
cadeiras. Apesar dos muitos sacrifícios que eram oferecidos e dos serviços
prestados, assentar-se não fazia parte do ofício dos sacerdotes. Eles
ministravam, mas em pé. Não havia lugar nem hora para assentar-se. Cadeiras
normalmente nos falam de descanso e acomodação, e estas são atitudes que não faziam
parte da realidade do Tabernáculo.
Por quê? É importante pensar nesta
pergunta. Por que não havia cadeiras no Tabernáculo? Por que os sacerdotes não
podiam assentar-se?
Neste estudo vamos considerar estas
perguntas e tentar respondê-las usando três palavras que iniciam com a mesma
letra: exceção, exemplo e exercício. Vamos ver uma exceção à regra,
o exemplo de obediência à regra e, finalmente, nosso exercício
à regra.
É possível que sejam duas as razões
porque os sacerdotes não podiam assentar-se: (a) por causa da insuficiência dos
sacrifícios e (b) por causa da insuficiência dos serviços.
a. Insuficiência dos sacrifícios – Hb
10:1-3, 11.
Todo ano havia O Dia
da Expiação (vs. 1-3). Durante anos incontáveis os sacrifícios eram trazidos.
Sacerdotes morriam e outros levantavam-se, mas os sacrifícios permaneciam;
nunca eram suficientes. Os anos mudavam, os sacerdotes também, mas a
consciência do pecado permanecia.
Todos os dias (v. 11). Não era
somente de ano em ano que os sacrifícios eram oferecidos, todos os dias havia
sacrifícios. Todos os dias e os mesmos sacrifícios que “nunca podem tirar os
pecados”.
Quando alguém pecava e, arrependido,
vinha trazer o seu sacrifício pela culpa, não podia garantir que aquele
sacrifício lhe tiraria os pecados. A pessoa nunca podia dizer: “Este é o último
sacrifício que estou trazendo, pois este é capaz de tirar os meus pecados de
uma vez por todas”. Não! Se ele pecasse novamente, mais uma vez teria de trazer
um sacrifício pela culpa, e mais uma vez o sacerdote ofereceria. Os sacrifícios
podiam cobrir o pecado, mas nunca tirá-lo. Eram insuficientes!
b. Insuficiência
dos serviços – Hb 9:6.
Não eram apenas os sacrifícios que
não paravam, os serviços também eram contínuos. “Os trabalhos principais dos
sacerdotes que ministravam no primeiro compartimento eram: todo dia, de manhã e
à tarde, as lâmpadas do candeeiro tinham que ser aparadas e o azeite
reabastecido. Todo dia também queimavam incenso no altar de ouro. O sangue das
ofertas tinha que ser aspergido diante do véu, frequentemente. Havia oblações
matinais e vespertinas e havia também ofertas individuais. Toda semana os pães
asmos precisavam ser retirados da mesa de ouro e substituídos por pães novos”
(Comentário Ritchie, vol. 13, pág. 228).
Os serviços não podiam parar porque
eram insuficientes. Um sacerdote não podia, por exemplo, trocar num sábado os
pães asmos e dizer: “Esta é a última vez que os troco. Estes novos que estou
colocando são suficientes para perdurar; nunca envelhecerão e nunca precisam
ser trocados”. Não! Todo serviço precisava ser repetido. Os pães envelheciam,
as lâmpadas se apagavam, o azeite acabava, enfim, tudo precisava ser repetido.
Os serviços prestados hoje eram insuficientes, serviam por pouco tempo!
Por estas duas razões — a
insuficiência dos sacrifícios e a insuficiência dos serviços
— não havia cadeiras no Tabernáculo. Mesmo que os
sacerdotes quisessem, não havia tempo nem lugar para assentar-se. Eles
ofereciam os sacrifícios e prestavam seus serviços em pé, sem o auxílio de
cadeiras.
Deus não mandou construir cadeiras
para o Tabernáculo, e não mandou porque não haveria tempo nem espaço para
usá-las; os sacrifícios não parariam e os serviços também não. Mas a Bíblia
apresenta dois sacerdotes assentados, um no AT e outro no NT. Um assentou-se
numa cadeira aqui na Terra; o Outro está assentado num trono
lá no Céu. Um foi uma exceção, o outro um exemplo.
Um nunca deveria ter se assentado, o Outro, assentou-se por direito de posição.
Vejamos quais foram estes sacerdotes
e o que podemos aprender com eles para o nosso exercício.
c. exceção – I Sm 1:9; 4:13, 18.
O único sacerdote que se assentou no
AT foi Eli. Os sacerdotes, no exercício da sua função ministravam em pé, mas
Eli assentou-se. Este caso é uma exceção à regra. Seu exemplo não é positivo e
não devemos imitar. Ao contrário, seu exemplo é negativo e devemos evitar fazer
o que ele fez.
Há três menções de Eli assentado numa
cadeira (como citado nos versículos acima). A primeira destas menções se
encontra no mesmo versículo em que Eli é chamado de sacerdote. Ou seja, o que
temos aqui é uma anomalia — um sacerdote assentado! O mais curioso de tudo é
que ele estava assentado numa cadeira “junto a um pilar do templo do Senhor”. É
possível que ali, assentado na cadeira, ele estivesse vendo tudo o que
acontecia no Tabernáculo, mas sua participação era passiva. Talvez até daria
alguma orientação aos outros, mas continuava acomodado. Não podemos dizer com exatidão
o que o motivou a assentar-se, mas é possível se ter uma ideia.
c.1. Sua condição física.
Havia duas limitações em Eli que,
aparentemente, justificariam o fato de ele ter se assentado. “O homem era velho e
pesado” (I Sm 4:18). Olhando por este ângulo, talvez aceitamos e
concordamos que ele tenha se assentado, mas há outro lado na moeda. Nem os
mandamentos nem a história do sacerdócio em Israel concordariam com isso. As
orientações que Deus deu para os serviços no Tabernáculo não incluem uma
cláusula de exceção permitindo que o sacerdote, quando idoso, se assente. Além
disso, sendo ele “pesado”, indica que sua vida tornou-se sedentária. A energia
e o tempo que deveriam ser usados nos serviços espirituais, estavam sendo
usados para a alimentação do seu próprio corpo.
Nós também podemos chegar a esta
situação de Eli. Depois de tantos anos de serviço ao Senhor (quem sabe já
quarenta anos ou mais, I Sm 4:18), começamos a pensar que já fizemos tudo o que
deveríamos fazer; já trabalhamos demais e agora está na hora de descansar.
Este é um argumento aparentemente
aceito, mas não correto. A maioria dos servos de Deus continuaram a servi-lo
quando já estavam com idade bem experiente. Moisés foi chamado para libertar o
povo de Israel quando tinha oitenta anos. Paulo continuava servindo a Deus
sendo como era, “Paulo o velho” (Fm v. 9). O apóstolo João foi usado por Deus
para escrever seus livros quando já estava bem idoso e, conta a tradição, que
ele continuou servindo a Deus na cidade de Éfeso antes de morrer com idade bem
avançada.
“Homens do mundo esperam que suas
vidas sejam mais tranquilas na sua velhice, mas para os servos de Deus os
últimos anos são, muitas vezes, os mais difíceis. Pedro foi avisado sobre o que
lhe aconteceria na sua velhice; João foi banido para Patmos, na sua velhice; …
Paulo, quase ao fim da sua vida, é prisioneiro em algemas” (Comentário Ritchie,
vol. 10, págs. 206, 207).
Enquanto estamos neste mundo,
precisamos trabalhar. É verdade que irmãos mais idosos não podem fazer tudo o
que faziam na juventude, mas ainda há muito que ser feito. Não há lugar para
aposentadorias no serviço do Senhor.
Além de idoso, Eli também era pesado.
Seu tempo e energia talvez eram gastos satisfazendo à sua carne e aos desejos
do seu corpo; uma atitude bem diferente da que Paulo se dispôs a tomar. O
apóstolo diz o seguinte aos coríntios: “Eu de muito boa vontade gastarei, e me
deixarei gastar pelas vossas almas …” (II Co 12:15).
Ah! como deveríamos fazer isso
também! Usar tempo e energia satisfazendo nossa carne é uma perda irreparável.
Mas usar tempo pelas almas dos irmãos é um ganho que traz resultados agora e no
futuro eterno. Nunca será uma perda usar o tempo para socorrer os aflitos,
praticar hospitalidade, aconselhar os novos na fé, cuidar dos velhos na idade,
contribuir com os carentes e muito mais. Deixar-se gastar pelas almas dos
irmãos é o melhor uso que podemos fazer do nosso tempo e energia!
c.2. Seus serviços.
Os serviços que Eli deveria fazer
eram muitos. Ele precisava oferecer sacrifícios e cuidar da manutenção do
Tabernáculo. Mas parece que estas coisas não estavam sendo feitas por ele.
Possivelmente eram seus filhos, Hofni e Finéias (que também eram sacerdotes)
que ofereciam os sacrifícios (I Sm 1:3; 2:12-17), apesar da conduta vergonhosa
que eles tinham, e Samuel cuidava dos serviços (I Sm 2:18; 3:1). É verdade que
estas seriam boas oportunidades para Eli treinar os mais novos no serviço do
Senhor, dando a eles responsabilidades para aprender servindo. Mas isto não
deveria servir como desculpa para ele mesmo deixar de servir. Enquanto os
outros cuidavam das responsabilidades, Eli permanecia assentado.
Este é outro perigo que devemos
evitar — delegar nossas responsabilidades. Pode ser que haja na igreja alguns
novos que precisam ser introduzidos nos serviços, e com a melhor das intenções
começamos a confiar a eles algumas responsabilidades. Isto é muito bom e
necessário. Servir é a melhor forma de se aprender. No entanto, é igualmente
necessário tomar cuidado para não colocar os outros servindo e nós mesmos
ficarmos de braços cruzados. É bom incentivar um irmão que esteja desenvolvendo
um dom de ministério público, mas que isso não nos estimule a deixar de
preparar mensagens para ensinar. Talvez uma irmã mais experiente incentive uma
recém casada a praticar hospitalidade, mas que isso não impeça a ela mesma de
exercer este serviço necessário.
Por um lado, devemos sempre lembrar
que somos úteis e a igreja precisa do nosso serviço. Por outro lado, não
podemos pensar que somos absolutos e que os outros não fazem falta. Nosso
serviço não é inútil, a igreja precisa dele; nosso serviço é útil, mas a igreja
precisa dos outros também. Enfim, cada cristão com seu serviço é necessário (I
Co 12:14-22).
c.3. Sua cadeira.
Quando a Bíblia apresenta Eli
assentado no capítulo 1 ele não parece preocupado. Quando, porém, o apresenta
assentado no capítulo 4 ele está completamente preocupado. Sua preocupação era
por causa da Arca de Deus — o maior símbolo de glória de Israel. Talvez ele
nunca tenha pensado que sua indiferença resultaria em uma perda tão grande. A
Arca foi levada presa e, como sua nora expressou, “de Israel se foi a glória …
de Israel a glória é levada presa” (I Sm 4:21-22).
Não há escape. Sempre que nos
portamos indiferentes quanto às necessidades do povo de Deus de todos os
lugares, sempre que deixamos de perceber as necessidades da igreja onde
reunimos, sempre que nos ocupamos mais com nossa vida do que com a vida e bem
estar de cada irmão, colheremos muita tristeza. É possível que hoje estejamos
indiferentes e tudo pareça estar indo bem, mas não demorará muito até cairmos
em lamentação quando percebermos, talvez tarde demais, que a glória se foi.
Quem sabe quando abrirmos os olhos o Senhor Jesus não é mais o centro, Sua
Palavra não é mais respeitada, Seu Nome não é mais confessado e Ele mesmo já
esteja do lado de fora (Ap 3:8, 20). A glória se foi!
A mesma cadeira que Eli usava para
descansar, foi a ferramenta que Deus usou para o disciplinar. Eli caiu da
cadeira, quebrou o pescoço e morreu. Pobre Eli!, nunca imaginou que a cadeira
que lhe trazia tanto conforto seria a mesma que lhe traria tanta dor.
Há muita coisa aqui neste mundo que
nos traz conforto e bem estar, mas nos afasta dos serviços de Deus. É bom ter
cuidado. Aquilo que nos traz conforto hoje pode ser a causa da nossa queda e disciplina
amanhã.
d. Exemplo – Hb 1:3; 8:1; 10:12; 12:2.
O Senhor Jesus foi o outro Sacerdote
que assentou-Se. Os quatro versículos citados acima da carta aos Hebreus o
apresentam assim. Mas a esta altura surge uma dúvida: por que o Senhor Jesus
podia assentar-Se? Vimos que Eli, como sacerdote, não deveria ter se assentado,
mas e o Senhor, será que errou por assentar-se?
Não! O Senhor nunca errou, nunca
falhou, nunca cometeu nada que desagradasse ao Pai. Olhando mais de perto a
atitude do Senhor, percebemos que o que Ele fez é, na verdade, um exemplo
para nós O imitarmos. O Senhor assentou-Se, mas não numa cadeira, e sim num
trono; não aqui na Terra, mas lá no Céu; não antes de terminar a Sua obra, mas
depois de tê-la consumado.
Estes versículos apresentam o Senhor
assentado à destra da Majestade, à destra do trono da Majestade, à destra de
Deus e à destra do trono de Deus. Estas quatro referências são, na verdade, o
mesmo lugar. Primeiro é mostrado a Majestade, depois o trono que
a Majestade possui. Em seguida, as Escrituras nos apresentam Deus,
depois, o trono que Deus possui. É ali, onde nenhum sacerdote
entrou nem se assentou que Cristo está assentado!
Os quatro versículos em Hebreus que O
apresentam assentado podem ser divididos em duas classes: Seu serviço e
Seu sacrifício. Dois destes versículos apresentam o serviço
completo que Ele realizou, e os outros dois apresentam o sacrifício perfeito de
Si mesmo.
d.1. Seu serviço completo — Hb 8:1;
12:2.
“Temos um sumo sacerdote tal”, diz o
escritor, “que está assentado …” Seu serviço terminou, Sua obra foi completa,
seu ministério, aqui, foi realizado. Hoje Ele intercede pelos Seus, mas a obra
da redenção não carece de reparos.
Quando o Senhor Jesus veio a este
mundo, Ele tinha uma obra que o Pai Lhe deu para realizar, e enquanto andou por
aqui usou tempo, energia e oportunidades para realizar a obra do Pai. As
Escrituras mostram o envolvimento e dedicação do Senhor. Vejamos alguns
exemplos.
o Jo 4:34: “Jesus disse-lhes:
a minha comida é fazer a vontade dAquele que Me enviou, e realizar a Sua obra”.
Era dupla a “comida” do Senhor, aqui: fazer a vontade e realizar a obra do Pai.
Jó manifestou atitude semelhante quando considerou a Palavra de Deus mais importante
do que a sua Própria comida (Jó 23:12). Para o Senhor Jesus, mais importante do
que satisfazer a Si, era satisfazer ao Pai.
o Jo 5:17: “Meu Pai trabalha
até agora, e Eu trabalho também”. Este versículo é, em si, uma prova
incontestável da divindade e igualdade entre o Pai e o Filho, mas o que
queremos destacar no momento é o trabalho do Filho. Ele não estava descansando,
indiferente, negligenciando a obra. Ele estava trabalhando.
o Jo 9:4: “Convém que
Eu faça as obras dAquele que Me enviou enquanto é dia; a noite vem quando
ninguém pode trabalhar”. Enquanto o Senhor estava andando por aqui, Ele era a
Luz do mundo (v. 5), mas depois que fosse retirado daqui, o mundo não teria
mais a sua luz. Hoje o Senhor é a Luz dos salvos. Ele tinha uma obra a
realizar, e queria terminar a Sua obra antes de se retirar deste mundo.
o Jo 17:4: “Eu
glorifiquei-Te na Terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer”. Estas
palavras foram ditas pelo Senhor momentos antes de Ele ser preso e levado para
julgamento, de onde seria conduzido para a crucificação. Sua vida fora exemplar
e sem nenhuma transgressão ou ofensa ao Pai. Seu serviço fora concluído e o Pai
glorificado!
o Jo 19:30: “E, quando
Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou
o espírito”. A expressão “está consumado” é interessante e importante. É a
tradução de uma única palavra no grego (tetelestai), e ocorre também no
v. 28, traduzida “terminadas”. Esta palavra não só deixa claro que o Senhor
cumpriu os Seus serviços; ela indica que ele os cumpriu perfeitamente. Foi tão
completa e perfeita a obra que Cristo fez durante Sua vida e ali na cruz que
não há nenhuma necessidade de que se repita. De fato, está consumado!
o Sl 110:1: “Disse o
Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à Minha mão direita, até que ponha os Teus
inimigos por escabelo dos Teus pés”. Logo depois que o Senhor terminou Seu
serviço aqui, Ele se assentou lá no Céu. Mas é importante notar que o Pai
aprovou Sua atitude de assentar-se. Aqui no Sl 110:1, ouvimos a voz do Pai
dizendo ao Filho: “Assenta-Te à Minha mão direita …” O Pai, além de ter
aprovado o serviço do Filho, ainda O convidou a assentar-se. Deus nunca disse
isso a sacerdote algum, somente a Cristo. Como Ele é singular!
d.2. Seu Sacrifício perfeito — Hb
1:3; 10:12.
A carta aos Hebreus apresenta o
Senhor Jesus acima de tudo e de todos. Já no primeiro capítulo o Senhor é
apresentado acima dos profetas e dos anjos. Nos três primeiros versículos, onde
é feito um contraste entre o ministério do Filho e dos profetas, sete verdades
são apresentadas sobre o Filho que não são e nem podem ser verdades sobre
nenhum profeta. Herdeiro de tudo, Criador do mundo, Resplendor da glória,
expressa Imagem de Deus, Sustentador de todas as coisas, Cumpridor da
purificação dos nossos pecados e Assentado à destra da Majestade nas alturas.
A sexta destas verdades, é que Ele
fez por si mesmo a purificação dos nossos pecados. Ele não usou outro para
purificar os nossos pecados, Ele mesmo fez por si a nossa
purificação. O Senhor não entrou no Santuário celeste com sangue de outro;
entrou com Seu próprio sangue (Hb 9:11-14). Ele não trouxe um sacrifício a Deus
— Ele mesmo Se deu como sacrifício. Seu sacrifício foi tão completo que
ofereceu apenas uma vez (Hb 10:12). O sacrifício de Si mesmo não foi um que cobriu o
pecado; o sacrifício de Si mesmo tirou o pecado.
o Senhor satisfez as duas coisas que
eram impossíveis aos sacerdotes comuns. O Senhor prestou um serviço que jamais
precisará de reparos e ofereceu um sacrifício que jamais precisará ser
repetido.
e. O EXERCÍCIO – I Pe 2:5, 9.
O que vimos sobre Eli e o Senhor
Jesus serve, agora, para nosso exercício. Sempre devemos
lembrar que somos sacerdotes também. Pedro nos chama de sacerdotes santos e
sacerdotes reais. Como sacerdotes santos, temos sacrifícios a oferecer; como
sacerdotes reais (que pertencem à realeza), temos uma mensagem a anunciar.
Primeiro entramos à presença de Deus para servir (sacerdócio santo), depois
saímos ao mundo para anunciar as virtudes do Rei (sacerdócio real).
e.1. Sacerdotes santos.
Como sacerdotes santos, há
sacrifícios que Deus quer que ofereçamos. Há espalhados no NT oito sacrifícios
espirituais que os cristãos devem oferecer a Deus. Vamos considerar
abreviadamente cada um deles.
o Misericória (Mt
9:13, 12:7). W. E. Vine diz que misericórdia “é a manifestação
exterior de piedade; presume necessidade por parte daquele que a recebe, e
recursos adequados para satisfazer a necessidade por parte daquele que a
mostra” (Dicionário Vine, pág. 793). Sempre encontraremos pessoas precisando da
nossa ajuda. A necessidade pode ser financeira, emocional ou espiritual. Seja,
porém, qual for a necessidade, exercer misericórdia nestas circunstâncias é um
sacrifício espiritual!
o Amor (Mc 12:33). O amor a Deus
e ao próximo andam juntos. Os chamados “dez mandamentos” se resumem nestas duas
esferas de amor. Os quatro primeiros, mostram atitudes em relação a Deus; os
seis últimos mostram atitudes em relação ao próximo. O amor que nutrimos deve
ser exercido como sacrifício.
o O corpo (Rm 12:1). No AT as pessoas
não ofereciam a si mesmas a Deus; elas levavam algum sacrifício ao Seu altar.
Na nova ordem de culto, porém, Deus pede que ofereçamos a nós mesmos. À
semelhança de Cristo, que ofereceu a Si mesmo, o cristão deve também oferecer a
si. Este sacrifício, no entanto, tem três exigências. Primeiro, não é uma
atitude heroica suicidando-se por Deus. O que Deus quer é a atitude de
vivermos, dia após dia, para Ele. Em segundo lugar, é um sacrifício santo. Isto
quer dizer que nossos corpos devem ser separados do que é imundo e profano afim
de ser oferecidos como instrumentos de justiça (Rm 6:13, 19). Em terceiro lugar,
deve ser um sacrifício agradável. Ou seja, nossa vida deve ser de um perfume
tão fragrante que traga prazer ao coração de Deus, como Enoque (Hb 11:5).
o A fé (Fp 2:17). Neste
versículo, Paulo lembra a prática de derramar libação sobre o holocausto. Ele
compara a fé dos filipenses com o holocausto e a si mesmo com a libação (em II
Tm 4:6 ele faz a mesma comparação). Podemos aprender aqui que a fé é um
sacrifício, e devemos nos dedicar para fortalecer a fé dos irmãos. Mesmo que a
nossa participação seja a menor parte, devemos fazer com alegria, não com pesar
e tristeza.
o A contribuição (Fp
4:18).
Neste versículo, a contribuição da igreja em Filipos é chamada de “sacrifício
agradável e aprazível a Deus”. Infelizmente, há na cristandade hoje uma atitude
vergonhosa de explorar esse assunto, mas contribuir financeiramente é
necessário e deve ser encarado como um serviço prestado a Deus, não aos homens.
o O louvor (Hb
13:15). Este
versículo não está falando meramente da atitude de cantar, mas sim, de nos
apresentarmos diante de Deus com coração grato por Jesus Cristo. Não é um
louvor que está restrito a algum dia ou hora — pode e deve ser oferecido
sempre, em toda e qualquer situação. É um louvor que confessa o Seu Nome e
produz glória para Deus (Sl 50:23).
o O bem e a mútua
cooperação (Hb 13:16). A palavra “sacrifícios”, aqui, está
no plural, indicando que é mais de um sacrifício que está sendo considerado.
Além disso a pequena palavra “e” na expressão “não negligencieis, igualmente, a
prática do bem e a mútua cooperação” (Versão Atualizada), indica duas coisas
distintas. Mas como estão no mesmo versículo, então vamos considerá-los juntos.
Somos responsáveis por praticar o bem sempre que tivermos oportunidade,
principalmente aos da família da fé (Gl 6:10). Mas não devemos somente esperar
que a oportunidade venha até nós; devemos ir e buscar oportunidades para
cooperar com aqueles que precisam do nosso auxílio. Com tais sacrifícios Deus
se agrada.
A respeito destes oito sacrifícios,
W. J. Watterson faz um interessante resumo: “Os dois primeiros (misericórdia e
amor) e os dois últimos (prática do bem e mútua cooperação) são em relação aos
outros. Nestes dois pares, os primeiros (misericórdia e prática do bem) são
para com incrédulos, e os outros dois para com os irmãos. Os quatro do meio são
em relação a Deus, sendo que os dois primeiros destes dois pares (corpos e
contribuições) são coisas materiais, e os dois últimos (fé e louvor) são
espirituais.”
b) Sacerdotes reais. A vontade de Deus
para o Seu povo Israel era que ele fosse um reino de sacerdotes. Deus queria
que toda a nação tivesse o privilégio de entrar à Sua presença para adorar e
sair às demais nações para proclamar as virtudes do único Deus verdadeiro. Mas
Israel falhou, e Deus tomou apenas uma família, para ministrar como sacerdotes
perante Ele.
A igreja, hoje, exerce este
privilégio. Somos todos sacerdotes de Deus. Não há na igreja uma classe
separada para oferecer sacrifícios em nome de todos; todos os cristãos têm este
privilégio. Embora os homens tenham inventado as classes de cleros e leigos, a
verdade permanece a mesma. Mas assim como entramos à presença de Deus para
adorar, devemos sair à presença dos homens para proclamar. Os homens, vivendo
em trevas, precisam saber das virtudes dAquele que nos tirou das mesmas trevas
que eles vivem hoje. Somos sacerdotes reais que anunciam as glórias, belezas e
perfeições do nosso Rei, e fazemos isso por meio do Evangelho.
Esta é a carreira que temos aqui.
Enquanto estamos neste mundo, devemos nos ocupar nestes serviços, adorando a
Deus na Sua presença (sacerdócio santo) e proclamando aos homens sobre Cristo
(sacerdócio real). É verdade que o desânimo e a vontade de descansar nos
surpreende vez por outra, mas é preciso continuar o trabalho. Enquanto Eli
estava assentado numa cadeira aqui neste mundo, o povo todo começou a se
corromper. Enquanto o Senhor Jesus andou por este mundo, usou seu tempo e
energia para terminar a Sua obra. Não há lugar para nós, aqui. Não há tempo
para puxar uma cadeira e descansar. Não há espaço para aposentadorias na obra
de Deus. Só deixaremos de trabalhar por aqui quando formos levados à presença
de Deus, seja pelo arrebatamento, seja pela morte. Mas enquanto isso, trabalhemos.
Parafraseando as palavras de Miquéias 2:10: “Levantai-vos, cristãos, e ide a
servir, porque este mundo não é lugar de descanso”.
f. Conclusão
É possível que uma ilustração ajude a
concluir este estudo. A carreira do apóstolo Paulo serve como ilustração para
nós. Quando ele foi salvo, recebeu uma carreira do Senhor Jesus (At 9:6, 15,
16; 26:14-18). Depois de muitos anos de serviço ao Senhor, ele fala da sua
carreira como sendo mais importante que a sua própria vida (At 20:24). Por fim,
quando percebeu que tinha pouco tempo de vida, e considerando seu trabalho para
o Senhor aqui, ele diz na última de suas cartas: “Acabei a carreira” (II
Tm 4:6-8). Sua carreira só acabou quando não havia tempo para fazer mais e nem
mesmo para descansar aqui. Seu descanso seria junto do Senhor.
O sacerdote Eli descansou, o Senhor
Jesus consumou Sua obra e Paulo terminou sua carreira. E nós, o que estamos
fazendo? Há muito o que fazer, só depende da nossa disposição.
Há trabalho pronto para ti, cristão,
Que demanda toda a tua devoção.
Vem alegremente a Cristo obedecer,
Pois só tu, ó crente, o poderás
fazer!
Por Jesus é trabalhar!
Prontamente, fielmente, trabalhar!
Em serví-Lo que prazer!
E só tu, ó crente, o poderás fazer!
(Hinos e Cânticos, 371)

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