sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Falavam da Sua morte

A ocasião quando o Senhor Jesus levou três dos Seus discípulos a um monte, e transfigurou-Se diante deles, foi singular em muitos aspectos (Lc 9:28-36). A começar pela transfiguração, em si. Os discípulos já tinham presenciado muitas evidencias da divindade do Salvador, mas naquela ocasião, tiveram um vislumbre da Sua glória eterna.

Outra coisa impressionante que aconteceu naquele dia foi o encontro de pessoas que viveram em épocas tão diferentes.  Moisés, Elias, e os discípulos nunca tinham se encontrado na Terra. Naquele dia, porém, Moisés encontrou-se com Elias, e ambos encontraram-se com os discípulos. O interessante é que Pedro não precisou ser apresentado aos dois para saber quem era Moisés e quem era Elias. De uma forma que não sabemos explicar como, ele sabia quem era quem. Convém destacar, também, que tanto Moisés quanto Elias, mantiveram a identidade que carregaram durante a vida aqui neste mundo. O Moisés dos primeiros livros da Bíblia continuou com o mesmo nome, e o Elias dos livros dos Reis continuou sendo Elias.

De todas as coisas impressionantes, porém, o que mais me deixa espantado é o assunto da conversa. Sendo que Moisés e Elias já estavam no Céu fazia vários séculos, seria de se esperar que a conversa girasse me torno do Céu, com uma descrição clara de como é lá e quem mais está lá. Mas a conversa não girou em torno do Céu. Nem mesmo falaram sobre as condições ou quais as atividades que se exercem lá.

Também era de se esperar que, pelo menos, falassem sobre a partida daqueles dois homens. Quando Moisés morreu, Deus mesmo sepultou o seu corpo, e nenhum ser humano jamais soube onde (Dt 34:5-6). Além disso, o próprio diabo tinha interesse em se apropriar do corpo de Moisés (Jd v. 9). Quanto detalhe! Esta ocasião seria uma boa hora para que Moisés revelasse onde seu corpo foi sepultado ou, quem sabe, revelar mais detalhes sobre o interesse do diabo no corpo dele. Mas não foi este o teor da conversa.

Quando Elias foi para o Céu, ele jamais passou pela morte física, e subiu ao Céu com seu corpo e tudo, e não apenas espírito e alma (II Rs 2:11). Era uma boa hora para que ele falasse sobre seus sentimentos ou sensações no exato momento quando estava subindo. Poderia falar também se seu corpo sofreu alguma mudança, mutação ou adaptação ao ambiente do Céu. Mas Elias também não falou sobre isso. 

Ao contrário de satisfazerem nossa mera curiosidade sobre assuntos que estão fora da nossa capacidade de compreensão, Moisés e Elias, enquanto conversavam com o Senhor Jesus, falavam da morte do Salvador. Não era a morte de um ou a falta de morte de outro que interessava aos dois naquele momento. O que interessava era a morte de Cristo. Por que? Porque Moisés e Elias poderiam morrer mil vezes em nosso lugar, mas só a morte de Cristo (uma única vez) teria o efeito que tem.

A morte mais importante do mundo é a morte do Filho de Deus. Se Cristo não tivesse morrido em nosso lugar, nós continuaríamos com todas as perguntas que temos sobre o Céu, mas nunca teríamos a oportunidade de ir até lá pessoalmente receber as respostas.

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