A igreja
em Éfeso, a primeira das sete igrejas que receberam mensagens do Senhor Jesus
em Apocalipse capítulos 2 e 3, era uma igreja que tinha muito envolvimento com
o amor. Isto pode ser bem percebido numa consideração cuidadosa das suas
menções no Novo Testamento. Somente na carta que Paulo escreveu àquela igreja,
por exemplo, vemos o amor em diferentes aspectos.
a) A prática do amor – (Ef 1:15). Os efésios
tinham um amor verdadeiro e abnegado uns pelos outros e por irmãos de outros
lugares. Mesmo longe, Paulo ouviu do amor deles “por todos os santos”. Mesmos havendo
diferenças sociais, financeiras, raciais e tantas outras diferenças, os efésios
não permitiam que estas coisas ofuscasse o seu amor mútuo. Eles não amavam
apenas aqueles que mais combinavam com eles na igreja, nem quem mais
concordavam com seu ponto de vista. Para eles, o amor deveria ser prático e
sincero, e era isto que podia ser visto naquela igreja.
b) A perfeição do amor – (Ef 3:14-19). Paulo
não somente ouviu falar e se alegrou por causa do amor que os efésios tinham
por todos os santos, ele também orava por eles, para que o alcance do amor
deles fosse ainda maior. Ele orava para que os efésios, tendo sido bem
estabelecidos em amor (v. 17), pudessem “conhecer o amor de Cristo”. É verdade
que eles haviam sido amados profundamente pelo Senhor Jesus, a ponto de o
Salvador entregar-Se por eles (Ef 5:2), mas também era verdade que havia
aspectos profundos deste amor do Salvador que eles ainda precisavam conhecer. A
largura, o comprimento, a altura e a profundidade são coisas difíceis de se
conhecer perfeitamente (v. 18), quanto mais o amor de Cristo!
c) A perseguição do amor – (Ef 4:15). Os efésios
também foram exortados a seguir “a verdade em amor”. Isto sugere pelo menos
duas coisas. Primeiro, eles seguiriam a verdade. Mesmo que as circunstâncias
fossem difíceis, os tempos fossem trabalhosos ou o momento exigisse uma
adulteração, eles não cederiam a estas tentações. Seguir a verdade, custe o que
custar! Este era o lema. Em segundo lugar, porém, a forma como seguiriam a
verdade seria “em amor”. Mesmo que não fossem ouvidos, mesmo que fossem
ridicularizados, mesmo que parecessem fracos, eles não abririam mão de
estabelecer a verdade na base do amor. Nem sempre é fácil dizer a verdade,
principalmente a quem não a segue e não a deseja. Mas sempre que a verdade é
dita com amor, ela age como óleo que penetra no mais duro ouvido e mais insensível
coração.
d) O procedimento do amor – (Ef 5:2). Também
foi dito aos efésios: “E andai em amor”. A forma como o cristão procede, em seu
comportamento, diz muito sobre quem ou o que influencia sua vida. Se os efésios
eram servos do Senhor Jesus e desejavam imitá-Lo, então deveriam andar em amor,
como Ele mesmo andou. Albert Leckie, em seu comentário de Efésios, explica de
uma forma muito interessante: “O exemplo do amor de Cristo é compreendido pelas
três expressões ... ‘Se entregou a Si
mesmo’ – foi amor abnegado; ‘Se entregou a Si mesmo por nós’ – foi para o bem de outros; ‘Se entregou a Si mesmo por nós
em oferta e sacrifício a Deus’ – foi
para a glória de Deus” (Comentário Ritchie do Novo Testamento, vol. 9, pág.
198).
e) A prova do amor (Ef 6:24). No último
versículo desta profunda carta aos efésios, Paulo ora para que “a graça seja
com todos os que amam a nosso Senhor
Jesus Cristo em sinceridade”. Todo o amor que os efésios tinham pelos santos, a
intensidade com que perseguiriam o amor nos seus relacionamentos, o grau de
compreensão do amor de Cristo e a veracidade da imitação do amor do Salvador
tem sua prova nesta frase. Se amavam o Senhor Jesus, tudo o que foi dito sobre
eles seria uma verdade real e incontestável. Isto porque amar a Cristo é também
amar a tudo e a todos que Lhe pertencem.
f) A perda do amor (Ap 2:1-7). Mas quando chegamos
na mensagem do Senhor Jesus a esta mesma igreja no livro do Apocalipse, vemos
uma nota triste. Todo aquele amor que foi visto, e pelo qual Paulo orava para
que conhecessem mais, se perdeu pelo caminho. Na verdade, o Senhor precisou
dizer: “Deixaste o teu primeiro amor” (Ap 2:4). Uma igreja que começou tão bem,
e com tantas demonstrações práticas de amor pelos santos e pelo Senhor, deixou
esta característica tão fundamental e necessária. Mas nem tudo estava perdido. Aquela
igreja ainda poderia, caso se arrependesse, lembrar de onde caiu e praticar as
primeiras obras.
Como a
igreja em Éfeso, precisamos reconhecer que estamos falhando em amor pelo Senhor
e pelos santos. Mas não devemos ficar somente na lembrança. Devemos agir,
urgentemente, em direção ao amor que uma vez nos caracterizou. Lembremos desta
verdade solene: se o amor a Cristo não for nutrido, será fatalmente esquecido!
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