quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Deus da Glória

Quanto mais estudamos sobre Deus, mais nos admiramos diante das Suas glórias, soberania e majestade. Deus é único em todos os aspectos!

Todo estudante da Bíblia que deseja conhecer melhor a Deus chega a pelo menos duas conclusões: que Deus é diferente e que é impossível se conhecer tudo sobre Ele. Aproximar-se dEle para O conhecer, é o mesmo que aproximar-se duma praia e pôr os pés nas rasas águas dum vasto oceano de maravilhas!

Estes dias, enquanto estudava sobre a vida de Abraão, me deparei com uma expressão importantíssima sobre Deus — “O Deus da glória”. Somente a expressão em si já nos comunica verdades importantes sobre o nosso Deus, mas quando analisamos as ocorrências e contextos em que esta expressão foi usada na Bíblia, nossa admiração aumenta.


As ocorrências

A expressão “o Deus da Glória” é muito rara. Ocorre apenas duas vezes em toda a Bíblia. Uma vez no AT e uma vez no NT (veja Sl 29:3 e At 7:2). É interessante e instrutivo pensar nisso. Em toda a Bíblia encontramos revelações profundas e admiráveis sobre Deus, mas esta, que é bela por si só, Deus só a revelou duas vezes. O contexto, porém, em que esta expressão ocorre em cada um dos versículos, nos ensina um contraste nítido entre Deus e os deuses dos homens. Veremos isso mais claramente quando pensarmos no contexto das ocorrências. Por enquanto, vejamos outras ocorrências semelhantes.

Enquanto pensava neste assunto, fui informado sobre outras expressões semelhantes no NT. Cada uma das Pessoas divinas tem Seu nome relacionado ao termo “da glória”, e isto apenas uma vez cada.

O Senhor Jesus é chamado de “o Senhor da Glória” em I Co 2:8; o Pai é chamado de “o Pai da glória” em Ef 1:17; e o Espírito Santo é chamado de “o Espírito da glória” em I Pe 4:14. Segundo os que conhecem o grego, o título “Senhor” em Tg 2:1 não se encontra no original. Ele foi acrescentado ali para dar sentido ao versículo (é por isso que em algumas versões em português, “Senhor” está em itálico, ali). O texto diz, literalmente, para não termos a “fé de nosso Senhor Jesus Cristo, da glória, em acepção de pessoas”. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são relacionados, cada Um uma vez, a este termo “da glória”.

Isto nos ensina mais uma vez sobre a divindade das três Pessoas. O Pai é igual ao Filho, que é igual ao Espírito Santo, que é igual ao Pai. Não há desigualdade. Não há diferença. A glória é associada aos três. Que glória!

Mas, quanto à Expressão “o Deus da glória”, sobre Qual das três Pessoas divinas se refere? Não é que haverá mais glórias para Um em detrimento do Outro se descobrirmos que se refere ao Filho, por exemplo. Não. Os três continuarão iguais em glória. Mas já que “O Deus da glória” ocorre apenas estas duas vezes, sobre Quem está se referindo? É sobre o Pai, o Filho ou o espírito Santo?

Sugiro que é uma referência às três Pessoas divinas. Digo isto porque quando a expressão é usada em At 7:2, Estevão está lembrando de uma ocasião passada, quando Deus apareceu, provavelmente pela primeira vez, a Abraão. E no Sl 29:3 Davi está falando da onipotência da voz de Deus. Em ambas as citações, não parece estar falando sobre Uma das Pessoas divinas, mas sim sobre Deus — o Pai, o Filho e o Espírito Santo.


O contexto

O contexto de cada citação é muito importante. Antes de pensar no salmo 29, vejamos em que contexto a expressão é citada em At 7.


AT 7:2

Em At 7, Estevão fez uma exposição detalhada, diante do Sinédrio, da maneira como Deus vinha tratando o Seu povo e a maneira ingrata como o povo se comportava diante de Deus até aqueles dias (vs 2-53). Mas a primeira frase de explicação, logo no começo da sua narrativa, foi que “o Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã”. À princípio, parece que não há muita coisa que aprender aqui, mas um pouco mais de cuidado nos mostrará a razão do Espírito Santo o ter levado a falar sobre o Deus da glória. Observe os detalhes:

Estevão diz que “o Deus da glória” apareceu a Abraão quando ele ainda morava na Mesopotâmia, “antes de habitar em Harã”. Em Gn 11:31, aprendemos que Abraão morava de fato em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Em Josué 24:2, 3, porém, aprendemos que Abraão, seu pai e seus irmãos “serviam a outros deuses”, antes de Deus o chamar. Abraão não conhecia a Deus; ele servia a deuses estranhos.

Sua vida, porém, tornou-se completamente diferente quando o Deus da glória apareceu a ele. É interessante pensar no contraste claro que está diante de nós. Abraão servia a deuses que nunca tiveram e nunca terão glória algumas, mas quando Deus apareceu a ele, não era qualquer deus, era o Deus da glória.


SL 29:3

Agora se torna mais fácil pensar no contexto do Sl 29. Se em Atos aprendemos que Abraão ouviu a voz do único Deus que é o Deus da Glória, nada mais normal do que ver a outra ocorrência desta expressão num contexto que está exaltando a Deus. Aliás, nenhum dos deuses que Abraão possa ter servido antes de conhecer a Deus podia ser ou fazer o que Deus é e faz!

Aqui no Sl 29, Davi convida o povo para dar ao Senhor glória e força e para adorá-lO (vs 1, 2). Logo a seguir, ele apresenta as razões para se fazer isso. Ele diz que “a voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas. A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade …”, e continua exaltando a voz de Deus.

Para resumir, podemos dividir este Salmo da seguinte forma:

a) Uma exortação — vs. 1 e 2. Os filhos dos poderosos são exortados a honrar ao Senhor, dando-Lhe glória, força e adorando-O.

b) O que Deus faz — vs. 3-9. Neste Salmo, é apresentado apenas a voz do Senhor. É apenas uma pequena amostra de toda a Sua majestade, glória e onipotência. Os verbos estão, aqui, no presente, e ensinam muito do que Deus pode fazer.

c) O que Deus fez — v. 10. “O Senhor se assentou sobre o dilúvio …” , diz este versículo. Nenhum ser humano pôde fazer o que Deus fez. Na ocasião do dilúvio, o mundo dos ímpios pereceu pelas águas, e Noé e sua família entraram na Arca, mas nenhum deles tinha poder para “se assentar sobre o dilúvio”.

d) O que Deus fará — v. 11. Deus não só faz e fez, mas Ele também fará. O mesmo Deus que, somente com a Sua voz pode fazer tantas coisas admiráveis, e com o Seu poder assentar-se acima das águas tem, sem dúvidas, poder para dar ao Seu povo força e abençoa-lo com paz!


As lições

Vimos que somente o nosso Deus recebe o título tão belo de “o Deus da Glória”. Nenhum outro se assemelha a Ele. Quando olhamos para o nosso passado, nos vemos como Abraão, servindo a outros deuses. No entanto, quando o Espírito Santo nos chamou pelo Evangelho de Cristo, nos tornamos semelhantes aos Tessalonicenses. Nos convertemos dos ídolos a Deus, “para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a Seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira futura” (I Ts 1:9, 10).

E nesta condição de servos de Deus, percebemos a grande honra em que fomos colocados. Não servimos aos deuses dos ímpios, que não podem e não fazem nada. Servimos ao “Deus da glória”!

Que estas verdades nos ajudem a atender à exortação do salmista, nos levando a dar a Deus glória e força, e nos prostrando para adorá-lO.



“Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo sempre. Amém” (Jd v. 25)!

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