Quanto mais
estudamos sobre Deus, mais nos admiramos diante das Suas glórias, soberania e
majestade. Deus é único em todos os aspectos!
Todo estudante da
Bíblia que deseja conhecer melhor a Deus chega a pelo menos duas conclusões:
que Deus é diferente e que é impossível se conhecer tudo sobre Ele. Aproximar-se
dEle para O conhecer, é o mesmo que aproximar-se duma praia e pôr os pés nas
rasas águas dum vasto oceano de maravilhas!
Estes dias,
enquanto estudava sobre a vida de Abraão, me deparei com uma expressão
importantíssima sobre Deus — “O Deus da glória”. Somente a expressão em si já
nos comunica verdades importantes sobre o nosso Deus, mas quando analisamos as
ocorrências e contextos em que esta expressão foi usada na Bíblia, nossa
admiração aumenta.
As ocorrências
A expressão “o Deus
da Glória” é muito rara. Ocorre apenas duas vezes em toda a Bíblia. Uma vez no
AT e uma vez no NT (veja Sl 29:3 e At 7:2). É interessante e instrutivo pensar
nisso. Em toda a Bíblia encontramos revelações profundas e admiráveis sobre
Deus, mas esta, que é bela por si só, Deus só a revelou duas vezes. O contexto,
porém, em que esta expressão ocorre em cada um dos versículos, nos ensina um
contraste nítido entre Deus e os deuses dos homens. Veremos isso mais
claramente quando pensarmos no contexto das ocorrências. Por enquanto, vejamos
outras ocorrências semelhantes.
Enquanto pensava
neste assunto, fui informado sobre outras expressões semelhantes no NT. Cada
uma das Pessoas divinas tem Seu nome relacionado ao termo “da glória”, e isto
apenas uma vez cada.
O Senhor Jesus é
chamado de “o Senhor da Glória” em I Co 2:8; o Pai é chamado de
“o Pai da glória” em Ef 1:17; e o Espírito Santo é chamado de
“o Espírito da glória” em I Pe 4:14. Segundo os que conhecem o
grego, o título “Senhor” em Tg 2:1 não se encontra no original. Ele foi
acrescentado ali para dar sentido ao versículo (é por isso que em algumas
versões em português, “Senhor” está em itálico, ali). O texto diz,
literalmente, para não termos a “fé de nosso Senhor Jesus Cristo, da glória, em
acepção de pessoas”. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são
relacionados, cada Um uma vez, a este termo “da glória”.
Isto nos ensina
mais uma vez sobre a divindade das três Pessoas. O Pai é igual ao Filho, que é
igual ao Espírito Santo, que é igual ao Pai. Não há desigualdade. Não há
diferença. A glória é associada aos três. Que glória!
Mas, quanto à
Expressão “o Deus da glória”, sobre Qual das três Pessoas divinas se refere?
Não é que haverá mais glórias para Um em detrimento do Outro se descobrirmos
que se refere ao Filho, por exemplo. Não. Os três continuarão iguais em glória.
Mas já que “O Deus da glória” ocorre apenas estas duas vezes, sobre Quem está
se referindo? É sobre o Pai, o Filho ou o espírito Santo?
Sugiro que é uma
referência às três Pessoas divinas. Digo isto porque quando a expressão é usada
em At 7:2, Estevão está lembrando de uma ocasião passada, quando Deus apareceu,
provavelmente pela primeira vez, a Abraão. E no Sl 29:3 Davi está falando da
onipotência da voz de Deus. Em ambas as citações, não parece estar falando
sobre Uma das Pessoas divinas, mas sim sobre Deus — o Pai, o Filho e o Espírito
Santo.
O contexto
O contexto de cada
citação é muito importante. Antes de pensar no salmo 29, vejamos em que contexto
a expressão é citada em At 7.
AT 7:2
Em At 7, Estevão
fez uma exposição detalhada, diante do Sinédrio, da maneira como Deus vinha
tratando o Seu povo e a maneira ingrata como o povo se comportava diante de
Deus até aqueles dias (vs 2-53). Mas a primeira frase de explicação, logo no
começo da sua narrativa, foi que “o Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão,
estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã”. À princípio, parece que não
há muita coisa que aprender aqui, mas um pouco mais de cuidado nos mostrará a
razão do Espírito Santo o ter levado a falar sobre o Deus da glória. Observe os
detalhes:
Estevão diz que “o
Deus da glória” apareceu a Abraão quando ele ainda morava na Mesopotâmia, “antes
de habitar em Harã”. Em Gn 11:31, aprendemos que Abraão morava de fato em
Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Em Josué 24:2, 3, porém, aprendemos que Abraão,
seu pai e seus irmãos “serviam a outros deuses”, antes de Deus o chamar.
Abraão não conhecia a Deus; ele servia a deuses estranhos.
Sua vida, porém,
tornou-se completamente diferente quando o Deus da glória apareceu a ele. É
interessante pensar no contraste claro que está diante de nós. Abraão servia a
deuses que nunca tiveram e nunca terão glória algumas, mas quando Deus apareceu
a ele, não era qualquer deus, era o Deus da glória.
SL 29:3
Agora se torna mais
fácil pensar no contexto do Sl 29. Se em Atos aprendemos que Abraão ouviu a voz
do único Deus que é o Deus da Glória, nada mais normal do que ver a outra
ocorrência desta expressão num contexto que está exaltando a Deus. Aliás,
nenhum dos deuses que Abraão possa ter servido antes de conhecer a Deus podia
ser ou fazer o que Deus é e faz!
Aqui no Sl 29, Davi
convida o povo para dar ao Senhor glória e força e para adorá-lO (vs 1, 2).
Logo a seguir, ele apresenta as razões para se fazer isso. Ele diz que “a voz
do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o
Senhor está sobre as muitas águas. A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor
é cheia de majestade …”, e continua exaltando a voz de Deus.
Para resumir,
podemos dividir este Salmo da seguinte forma:
a) Uma
exortação — vs. 1 e 2. Os filhos dos poderosos são exortados a honrar ao
Senhor, dando-Lhe glória, força e adorando-O.
b) O que
Deus faz — vs. 3-9. Neste Salmo, é apresentado apenas a voz do Senhor. É
apenas uma pequena amostra de toda a Sua majestade, glória e onipotência. Os
verbos estão, aqui, no presente, e ensinam muito do que Deus pode fazer.
c) O que
Deus fez — v. 10. “O Senhor se assentou sobre o dilúvio …” , diz este
versículo. Nenhum ser humano pôde fazer o que Deus fez. Na ocasião do dilúvio,
o mundo dos ímpios pereceu pelas águas, e Noé e sua família entraram na Arca,
mas nenhum deles tinha poder para “se assentar sobre o dilúvio”.
d) O que
Deus fará — v. 11. Deus não só faz e fez, mas Ele também fará. O mesmo Deus
que, somente com a Sua voz pode fazer tantas coisas admiráveis, e com o Seu
poder assentar-se acima das águas tem, sem dúvidas, poder para dar ao Seu povo
força e abençoa-lo com paz!
As lições
Vimos que somente o
nosso Deus recebe o título tão belo de “o Deus da Glória”. Nenhum outro se
assemelha a Ele. Quando olhamos para o nosso passado, nos vemos como Abraão,
servindo a outros deuses. No entanto, quando o Espírito Santo nos chamou pelo
Evangelho de Cristo, nos tornamos semelhantes aos Tessalonicenses. Nos
convertemos dos ídolos a Deus, “para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar
dos céus a Seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra
da ira futura” (I Ts 1:9, 10).
E nesta condição de
servos de Deus, percebemos a grande honra em que fomos colocados. Não servimos
aos deuses dos ímpios, que não podem e não fazem nada. Servimos ao “Deus da
glória”!
Que estas verdades
nos ajudem a atender à exortação do salmista, nos levando a dar a Deus glória e
força, e nos prostrando para adorá-lO.
“Ao único Deus
sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para
todo sempre. Amém” (Jd v. 25)!
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