segunda-feira, 17 de março de 2014

Eu Sou - suficiência

Um dos textos mais bem conhecidos do NT é Jo cap. 4. Em pouco espaço, a vida, os anseios e as necessidades da mulher samaritana são expostos e satisfeitos. Mais do que isso, porém, encontramos neste contexto mais uma das ocorrências de “Eu Sou”.

“Jesus disse-lhe: Eu o Sou, Eu que falo contigo” (v. 26). Neste versículo, o artigo “o” não consta no texto (grego). O Senhor está literalmente dizendo: “Eu Sou”, um título usado por Jeová no VT.

A vida da mulher samaritana foi exposta em três áreas aqui. Para cada uma delas, o Senhor mostrou-Se suficiente.

a) Conversão – sua falha física. A mulher foi até o poço para tirar água, mas ela precisava de uma água diferente. Não era só sua sede física que precisava ser saciada; mais urgentemente sua sede pela vida eterna precisava ser solucionada. E o Senhor podia saciar (vs. 7-14).

b) Companheirismo – sua falha emocional. A mulher tivera cinco maridos, e, naquela ocasião, estava vivendo com alguém que não era seu marido. Sua necessidade por companheirismo era evidente. Mas os seis homens que fizeram parte de sua vida até então não puderam satisfazer sua carência emocional (vs. 16-18). Só um Homem podia saciar sua carência sem precisar recorrer a atos físicos – o Senhor.

c) Conhecimento – sua falha espiritual. Durante muitos anos aquela mulher, e muitos outros em Samaria, esperaram por alguém que lhes ensinasse todas as coisas (vs. 19-25). Ela precisava de conhecimento sobre as coisas espirituais. Mas nenhum dos sábios de sua época pôde dar tamanho entendimento. Mas ali estava Um que podia.

A mulher sabia que suas necessidades físicas, emocionais e espirituais seriam todas satisfeitas quando o Messias viesse. Mas, qual não deve ter sido sua surpresa quando Ele disse “Eu Sou”. Aquele Homem era não somente o Messias prometido por Jeová – Ele mesmo era Jeová!


Não importa qual área da vida você e eu estejamos mais carentes. Há um que pode satisfazê-la. Não importa se muitos já tentaram ser ajudadores e falharam. Só há Um que pode dizer “Eu Sou”. Não é alguma coisa material, como água, o de que precisamos. Não é trocar de companheiro (e pecar cometendo adultério). Não é buscar uma religião mais atraente. Se há alguma carência, o “Eu Sou” é suficiente.

Eu Sou - eternidade

O Evangelho de João registra várias ocasiões quando o Senhor Jesus disse de Si mesmo: “Eu Sou”. Este é um título divino, que descreve a eternidade de Deus. Jo 8:58 é uma dessas ocasiões. O Senhor disse: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou”. Considere estas palavras sob dois pontos de vista.

a) Existência. A frase “antes que Abraão existisse” mostra que houve uma ocasião na vida deste patriarca quando ele começou sua existência. Ele teve um começo. Abraão não é uma pessoa que sempre existiu.

b) Eternidade. O restante da frase apresenta um ensino profundo. O Senhor não disse “Eu era”, como seria gramaticalmente correto. Mas Ele disse “Eu Sou”, o que é espiritualmente correto. Para Ele o tempo não muda Suas características nem Lhe confere limite de existência. Em contraste com Abraão, o Senhor nunca começou a existir. Ele não tem “princípio de dias e nem fim de vida” (Hb 7:3).

A palavra “antes” mostra a ênfase na eternidade dEle. Antes de Abraão, antes de Adão, “antes de todas as coisas” (Cl 1:17).

Jeová apresentou a Si mesmo como “Eu Sou” (Ex 3:14), e o Senhor Jesus também Se apresentou assim. É uma prova da divindade dEle. Foi por entender essa reivindicação divina que os judeus pegaram em pedras para apedrejá-Lo (Jo 8:58, 59).


É exatamente o que acontece hoje. Muitos creem na impecabilidade de Cristo, mas recusam crer na Sua divindade. Mas para os que creem na divindade do Filho de Deus, é sempre um estudo interessante descobrir as igualdades entre Jesus e Jeová.

quinta-feira, 13 de março de 2014

O ministério dos anjos - sua adoração (ii)

Como vimos no artigo anterior, os anjos não devem ser adorados. Eles são seres criados e devem prestar adoração a Deus. Mas quando se pensa nisso, logo surge uma dúvida. Algumas vezes no VT pessoas prestaram adoração a anjo ou se comportaram diante dele com a mesma reverência que só se deve prestar a Deus. Será isso um princípio para que anjos sejam adorados? Note alguns detalhes que explicam essa aparente (e só aparente) contradição.

a) Diferença.
Em algumas ocasiões, quando anjos estiveram envolvidos em atividades na Terra, pelo menos um deles recebeu tratamento diferenciado e foi chamado de “o anjo do Senhor” (não simplesmente “um anjo” – veja, por exemplo, Gn 16:7, 9, 10, 11, etc).

Nos bem conhecidos capítulos de Gn 18 e 19, temos um exemplo clássico da diferença entre “o Anjo do Senhor” e os outros anjos. Primeiro, “apareceu-lhe o Senhor” (18:1). A palavra “Senhor”, neste versículo é “Jeová”. Mas quando Abraão levantou os olhos, viu, não um, mas “três homens em pé” (v. 2). Logo depois, Abraão correu, se inclinou e dirigiu-se a um deles (note o tratamento singular – v. 3), claramente distinguindo-o dos outros dois.

À medida que foram andando (v. 16), os outros dois anjos viraram-se para Sodoma (v. 22) e foram esses dois que chegaram até Ló (19:1). Enquanto os dois anjos desciam até Sodoma, Abraão permaneceu na presença (literalmente, junto) do Senhor (18:22, 33), falando com Ele.

Um dos três anjos não era simplesmente um ser criado. Ele era “o Senhor”. Foi a Ele que Abraão prestou reverência. Foi a ele que tratou de forma diferenciada. Foi na presença dele que permaneceu intercedendo.

Algumas coisas que o anjo do Senhor falou e prometeu, só podiam ser prometidas por Deus. Por exemplo, a promessa que Ele deu para Agar (Gn 16:10), as palavras que disse a Abraão sobre não negar a Ele seu filho (Gn 22:11, 12), a exigência que Ele fez a Moisés (Ex 3:2-6). Tudo isso mostra que “o anjo do Senhor” não era meramente um ser criado; Ele era o próprio Deus.

b) Discernimento.
Sendo assim, não há nenhuma discrepância no fato deste mesmo “anjo do Senhor” ter recebido adoração no VT (Js 5:13-15; Jz 6:11-24; 13:1-23, etc). Na verdade, as pessoas que fizeram isso, mostraram discernimento espiritual. Trataram outros anjos com respeito, mas adoração prestaram somente ao anjo do Senhor.

Precisamos muito deste mesmo discernimento hoje. Devemos ser respeitosos com as pessoas, mas nunca podemos dar a elas o mesmo tratamento, muito menos adoração, que prestamos a Deus.


O ministério dos anjos - sua adoração

Embora os anjos sejam seres superiores a nós (II Pe 2:11), eles não devem ser adorados. Pelo contrário; anjos devem prestar adoração. Repare alguns princípios bíblicos sobre isso (no próximo artigo, se Deus permitir, consideraremos as ocorrências de adoração a anjo no VT):

a) Religião perigosa – Cl 2:18.
A expressão “culto dos anjos”, que Paulo menciona aqui, não significa a adoração que os anjos prestam a Deus, mas sim, a adoração que os homens prestam aos anjos. Falsos mestres estavam propagando o “gnosticismo” (de “gnosis = conhecimento” – uma doutrina que dava ênfase ao conhecimento) e, ao que parece, propagando adoração a anjos. O problema desta doutrina é que não há nada na Bíblia que ensine que os anjos devem ser adorados. Pelo contrário. O que vemos é uma condenação a isso.

Enquanto o apóstolo João estava recebendo as revelações do livro de Apocalipse, por pelo menos duas ocasiões correu o risco de adorar o anjo que lhe guiava (Ap 19:10; 22:8, 9). Diante de tanta revelação impressionante, a reação natural de João foi prostrar-se, mas sabiamente o anjo recusou aquele gesto e repreendeu João por isso.

Pode parecer estranho, mas a intenção por trás do “culto aos anjos” é, na verdade, dar a Satanás a adoração que ele sempre quis receber. Satanás se transfigura em “anjo de luz” (II Co 11:14). Quando foi criado, ele era um querubim (Ez 28:14). Quando estava tentando o Senhor Jesus, sugeriu que o Senhor o adorasse (Mt 4:8-11). A adoração que o Senhor lhe recusou dar, por motivos óbvios, Satanás a recebe daqueles que prestam adoração a anjos.

Tomemos cuidado. Qualquer sugestão de dar a anjos um respeito maior do que o devido, pode ser um sutil convite a uma religião perigosa onde Satanás impera.

b) Responsabilidade posicional – Hb 1:6.
Aqui em Hebreus 1, o escritor está enfatizando a superioridade de Cristo (como já foi destacado num artigo anterior). Na seção onde está o versículo em questão, é mostrado a superioridade de Cristo em relação aos anjos. Sendo o Primogênito infinitamente maior do que os anjos, Deus mesmo ordena que “todos os anjos de Deus O adorem”.

Como vimos, anjos não podem receber adoração. A responsabilidade deles, como sua posição em relação ao Filho exige, é de adorarem incessantemente o Senhor deles – Cristo!

c) Realidade perpétua – Ap 5:11, 12.
Nesta cena emocionante, Deus descortina o futuro e desvenda aquilo que será a realidade perpétua na Sua presença. Seres representantes de todas as esferas adorando o Cordeiro. Os anjos são os primeiros mencionados, mas não são os únicos. Os “animais” (que no contexto do livro de Apocalipse representam a variedade na criação de Deus) e os “vinte e quatro anciãos” (que no contexto deste livro representam os salvos desta dispensação) estão unidos e associados aos anjos na adoração a Deus.


O cenário está preparado – “ao redor do trono”. Os componentes da grande orquestra estão a postos – “muitos anjos… os animais… os anciãos… (um total de) milhões de milhões, e milhares de milhares”. O grande homenageado está presente – o Cordeiro. É chegada a hora – arrebatamento e eventos subsequentes no Céu. Inicia-se a sinfonia: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças”!

O ministério dos anjos - seu auxílio

Por vezes alguém se flagra pensando no privilégio que seria se fosse um anjo. Poder estar sempre na presença de Deus, ver o Céu, estar acima das adversidades desta vida, etc. Além disso, uma breve comparação entre os anjos e os homens mostra que os anjos são, naturalmente, “maiores em força e poder” (I Pe 2:11). Como seria bom ser assim!

No entanto, Hb 1:14 ensina uma verdade impressionante: os anjos são “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”.

Os anjos são “enviados para servir”. Portanto, são servos de Deus, a serviço de Deus. Mas entre seu ministério, eles servem “aqueles que hão de herdar a salvação”. Isso não quer dizer que podemos mandar e desmandar nos anjos. Isso é Deus quem faz. Mas significa que somos auxiliados pelos anjos nas diversas circunstâncias pelas quais passamos.

Não podemos vê-los nem ter um relacionamento tão direto e intenso quanto os servos de Deus na época dos apóstolos, mas não devemos duvidar da presença e ajuda que eles nos dão.

Se soubéssemos quantas vezes somos livres de perigos e ajudados em situações difíceis, daríamos mais graças a Deus por enviar seus anjos para nos ajudar.

Mas há, ainda, outra verdade importante neste versículo. Os anjos são servos que servem aos servos. É verdade que eles são maiores em força e poder. Também é verdade que vivem numa esfera muito acima da esfera da Terra. Mas ser um ser humano salvo é uma honra muito maior do que ser um anjo. No presente, Deus os envia para auxiliar aqueles que Ele salva. No futuro, quando estivermos com o Senhor, a Igreja (os salvos desta dispensação), estará associada com Cristo, numa posição e privilégio muito maior do que o dos anjos.


Quando pensamos em tudo isso, não podemos medir a graça que nos foi dada quando fomos salvos, mas podemos dar graças a Deus por termos sido salvos!

O ministério dos anjos - seu aprendizado

Anjos são seres criados com privilégios excepcionais. Eles veem a face de Deus (Mt 18:10), têm força muito maior do que dos seres humanos (Mt 28:2), são tão rápidos quanto o vento e tão irresistíveis quanto o fogo (Hb 1:7 – a palavra “espírito” quer dizer vento, no contexto desse versículo). Estas e outras coisas mostram a glória que os anjos compartilham. Contudo, é de se admirar que os anjos, apesar de serem superiores a nós, aprendam conosco. Veja algumas passagens que mostram isso.

 a) Aprendizado – Ef 3:10. Entre os propósitos supremos de Deus, está a verdade de que Ele continuará mostrando no futuro (durante os “séculos vindouros”) “as abundantes riquezas da Sua graça” (Ef 2:7). Mas, mesmo agora, no presente, a Sua “multiforme sabedoria” está sendo conhecida pelos anjos (“principados e potestades nos céus”) através da Igreja. Desde que foram criados, os anjos sempre puderam apreciar a sabedoria de Deus na criação e no seu relacionamento com os homens. Mas é pela Igreja que eles aprendem alguma coisa mais profunda da sabedoria de Deus que nunca antes conheceram.

Que sabedoria!

 b) Autoridade – I Co 11:10. Este versículo ensina que o véu, usado por mulheres salvas nas reuniões das igrejas, é um sinal (ou símbolo) externo de sua submissão. A frase “por causa dos anjos” ensina uma verdade solene. Enquanto uma igreja local está reunida, os anjos estão observando o comportamento dos santos na reunião. Pelo fato de os homens não usarem nenhuma cobertura sobre a cabeça e as mulheres salvas usarem, os anjos veem que, ali, está presente a mesma ordem e submissão à autoridade que eles prestam a Deus no Céu.

Que solenidade!

c) Atenção – I Pe 1:12. O Evangelho é uma mensagem impressionante, e nós, os salvos desta presente dispensação, somos os mais enriquecidos com ele. Os santos do VT ministravam verdades que não entendiam por completo e que não eram diretamente para eles, mas para nós (I Pe 1:10-12). Agora, sendo que as verdades do Evangelho foram esclarecidas pelo Espírito Santo enviado do Céu, os anjos desejam atentar. Esta palavra “atentar” quer dizer que os anjos prestam atenção a cada detalhe da graça de Deus para entender como e por que Deus salva pecadores como nós.

Que salvação!

O primeiro texto mostra o aprendizado dos anjos com a Igreja, que é o corpo de Cristo (todos os salvos, de todos os lugares, desde Pentecostes até o Arrebatamento). O segundo mostra a autoridade dos anjos em relação às reuniões das igrejas locais. O terceiro mostra a atenção dos anjos em relação aos cristãos individualmente.

Olhando para a Igreja (o corpo de Cristo), os anjos aprendem que Deus é Sábio. Olhando para as igrejas locais, eles aprendem que Deus é Soberano. Olhando para os cristãos, eles aprendem que Deus é Salvador.


Como estão as nossas vidas? Os anjos estão aprendendo coisas boas com elas? Não esqueçamos: eles estão observando!

O ministério dos anjos - sua autoridade

Este artigo (e outros que serão publicados em breve, se Deus permitir), não tem intenção de explorar tudo o que envolve o serviço que os anjos prestam. Mas oro para que o pouco que será dito coopere no entendimento e desenvolvimento de alguém. O título “Ministério dos anjos” é uma expressão tirada de At 7:53 (na Versão Atualizada).

Entre as coisas curiosas que a Bíblia ensina sobre os anjos, está o fato de eles terem participado ativamente na entrega da Lei que os judeus tinham que observar. Veja três passagens que mostram isso e suas lições:

a) At 7:53 – recepção.
O contexto deste versículo mostra a última pregação de Estevão antes de ser morto. Nesta ocasião, ele disse que os judeus tiveram o privilégio de receber a Lei (dada no Monte Sinai) pelo serviço dos anjos. Isto não nega que a Lei foi dada por Deus. Apenas mostra que Deus usou anjos para passar a Lei a Moisés e Moisés ao povo.

Mesmo sabendo que a Lei foi dada com a participação dos anjos, os homens não a respeitaram. Preferiram, deliberadamente, rejeitar os princípios espirituais que ela exigia.

b) Gl 3:19 – razão.
Este versículo enfatiza a finalidade da Lei, e mais uma vez mostra a participação dos anjos na sua entrega. “Para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões”. O homem é pecador e irrecuperavelmente corrupto. Para mostrar isso de uma forma mais evidente, foi dada a Lei.

Mas a Lei foi dada “até que viesse a posteridade”, que no contexto é o Senhor Jesus. Ou seja, por causa dos pecados, os homens estavam distantes de Deus. Tão distantes que foi preciso a Lei ser dada a anjos, e os anjos a um medianeiro (Moisés) e o medianeiro ao povo. Eles não a poderiam receber diretamente.

Como foi diferente quando Cristo veio! Em contraste com a Lei, Ele não precisou de intermediação entre Deus e os homens; Ele mesmo é o mediador (I Tm 2:5).

c) Hb 2:2 – retribuição.
Este versículo é uma continuação do assunto mencionado em Hb cap. 1. O Senhor Jesus é maior do que os homens (Hb 1:1-3), maior do que os anjos (Hb 1:4-9, 13-14) e maior do que a criação (Hb 1:10-12). Se a “palavra falada pelos anjos” (a Lei) trouxe retribuição justa sobre todos os que a transgrediam, quanto maior punição será trazida sobre aqueles que rejeitam o Evangelho anunciado por Aquele que é infinitamente maior do que os anjos!

Estes versículos que mostram a entrega da Lei pelos anjos, nos ensinam que quanto maior o privilégio, maior a cobrança. A Palavra que temos em mãos hoje não é somente a palavra posta nas mãos dos homens pelos anjos, é a Palavra posta na nossa mão por Deus. Nosso privilégio é ainda maior do que o do povo de Israel, e nossa responsabilidade também.


Por isso, “convém atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido” (Hb 2:1)!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Três homens maus

Os três homens mencionados em Judas versículo 11 são ilustrações claras e tristes de pessoas que receberam privilégios, mas preferiam rejeitá-lo. Conseguiram posições que muitos outros gostariam de alcançar, mas agiram como se estas posições não tivessem qualquer valor para suas vidas. 

Estes três homens: Caim, Balaão e Coré, tiveram ligações diretas com coisas espirituais. Caim levou um sacrifício para adorar a Deus. Balaão era um profeta. Coré era levita.

a) O “Caminho de Caim” – sua indiferença.
É muito possível que Caim e Abel tenham ouvido de seus pais a maneira como deveriam chegar-se a Deus. Fizeram a coisa certa: cada um levou um sacrifício ao Senhor (Gn 4:3-5). Caim, porém, não levou o que Deus ensinou que deveria ser levado (Gn 3:21). Ele levou o que representava seu esforço e capacidade. Foi indiferente ao sacrifício de Deus.

Logo depois, seguiu seu próprio caminho, dizendo: “E da Tua face me esconderei” … “e saiu Caim de diante da face do Senhor” (Gn 4:14, 16).

b) O “prêmio de Balaão” – seu interesse.
O relato solene de Nm 22-24 descreve o interesse desenfreado de Balaão, um profeta que, cobiçando em seu coração o prêmio oferecido por Balaque, desejou a todo custo fazer exatamente o que o inimigo do povo de Deus queria. Nas palavras dele, parecia ser um profeta fiel, que só faria o que Deus mandasse fazer, mas em seu coração ele “amou o Prêmio da injustiça” (I Pe 2:15). Em sua boca proferiu uma linda profecia; em seu coração preferiu um injusto prêmio!

c) A contradição de Coré – sua insubordinação.
Coré era levita e, portanto, tinha uma posição de honra no serviço para Deus no Tabernáculo. Mas estava insatisfeito com isso. Sua rebelião contra a liderança espiritual que Deus tinha constituído mostrou seu interesse por ocupar o cargo mais elevado (Nm 161-3). Sua rebelião trouxe prejuízo para todo o povo, mas mais particularmente para ele e para quem o seguiu (Nm 16:31-35).

Caim é um exemplo de alguém que tem tudo para ser um salvo, mas prefere não crer. Balaão é um exemplo de alguém que se diz salvo, vive como salvo e faz coisas de salvo, mas em alguma altura da vida mostra que nunca foi salvo. Coré é um exemplo de alguém verdadeiramente salvo, mas que se comporta como se não fosse, preferindo agir pela carne, ao invés de se submeter ao Espírito.

Que Deus nos livre de ser parecidos com algum destes três homens maus!

Pela fé - Samuel

Samuel é o décimo sexto nome mencionado em Hebreus 11 (v. 32). Há vários detalhes importantes a respeito dele que vale a pena mencionar. O nome Samuel quer dizer “pedido a Deus”, e praticamente tudo na vida dele envolvia oração.

a) Resposta. O nascimento de Samuel foi o resultado da oração confiante de sua mãe (I Sm 1:9-28). Ela pediu um filho não para “gastar em seu próprio deleite” (Tg 4:3), mas para que ele fosse devolvido ao Senhor e pudesse servi-Lo.

b) Responsabilidade. Durante sua vida, Samuel considerou a oração como sendo tão importante que, para ele, deixar de orar pelo povo seria o mesmo que cometer pecado (I Sm 12:23).

c) Respeito. A Bíblia destaca não só a importância que Samuel dava à oração, mas também, a importância que o povo dava às orações dele. Numa ocasião dramática, o povo suplicou a Samuel que não deixasse de orar por eles (I Sm 7:7-10).

Samuel foi o primeiro de uma classe de profetas (At 3:24) e o último dos juízes (At 13:20). Antes dele, os juízes libertaram o povo de Israel de várias formas, mas a forma como Samuel libertou foi, principalmente, através da oração. Não é de se admirar que Samuel é colocado ao lado de Moisés como exemplos de homens que tinham grande influência em suas orações (Jr 15:1).

Tudo isso começou por causa de uma mulher estéril que orou a Deus.


A fé de uma mãe fiel pode influenciar a fidelidade de um homem de fé.

Pela fé - Davi

Davi é o décimo quinto nome mencionado em Hebreus 11 (v. 32), entre aqueles que fizeram muitas coisas pela fé. Seu nome quer dizer “amado”, e era exatamente assim que o povo o considerava. Veja três razões:

a) Companhia. Individualmente, Davi conquistou o amor daqueles com quem convivia.

* Saul o amou por causa do alívio que sentia quando Davi estava presente e tocava a harpa para ele. Por isso, pediu ao pai de Davi que o deixasse ficar com ele (I Sm 16:21-23).

* Jônatas o amou por causa da coragem que viu naquele jovem. Jônatas era um homem corajoso, mas depois que Davi desafiou e derrotou Golias, viu neste um homem em cuja companhia queria estar. Os presentes que deu a Davi foi prova do amor e amizade que se iniciava ((I Sm 18:1-4).

* Mical o amou por ver nele o caráter de um futuro esposo em cuja companhia queria estar pelo resto da vida (I Sm 18:20, 28).

b) Conquistas. Não foram apenas indivíduos que amaram Davi. O povo, coletivamente, também o amou. A forma como conduzia as tropas do exército e cada vez mais libertava o povo da opressão dos inimigos, fez com que o país inteiro o amasse (I Sm 18:16).

c) Confiança. Mais importante, porém, é ver o amor de Deus por este homem. Por um lado, a Bíblia mostra que Deus achou a Davi (Sl 89:20) por que Davi era um homem segundo o coração de Deus (I Sm 13:14; At 13:22). Por outro lado, também Lemos da confiança que Davi tinha em Deus: “Pois Tu… és a minha confiança desde a minha mocidade” (Sl 71:5).

Davi era um homem em cuja companhia se queria estar. Era um homem que havia conquistado mais coisas para os outros do que para si mesmo. Era um homem que confiava em Deus desde muito novo. Como não amar alguém assim?

Se queremos ser amados pelos indivíduos, pelo povo e, principalmente, por Deus, não podemos exigir que o façam; precisamos dar razões para que o façam.

Pela fé - Jefté

Jefté é o décimo quarto nome mencionado em Hebreus 11 (v. 32). Foi um dentre os muitos homens e mulheres que realizaram grandes feitos pela fé. O nome Jefté quer dizer “opositor”, e há dois combates em sua vida que ilustram muito bem o tipo de oposição que ele enfrentou. Por outro lado, há duas qualidades pessoais nesse homem que precisam ser notadas.

a) Dois combates.

i) Contra os adversários – Jz 11:32, 33. Esta oposição e combate que Jefté teve contra os filhos de Amom é legítima e aceitável. Eles vieram contra Israel e queriam tomar as terras, mas Deus usou Jefté para subjugar os inimigos. Samuel reconheceu que este livramento pela mão de Jefté veio do Senhor (I Sm 12:11).

ii) Contra os amigos – Jz 12:1-6. Este segundo combate que Jefté teve não foi contra os que vinham de fora, mas contra os que estavam dentro. A tribo de Efraim reclamou por não ter participado da vitória. Eles foram convocados (v. 2.), mas, ao que parece, não queriam participar do combate, e sim, da honra pela conquista. Por causa do combate que Jefté e os gileaditas tiveram contra eles, quarenta e dois mil de Efraim morreram (v. 6).

Não podemos deixar de perceber, aqui, dois exemplos opostos. No primeiro caso, devemos aprovar a atitude Jefté. Sua oposição foi para manter o território e limites do povo de Deus. No segundo caso, não podemos concordar com ele (mesmo que os efraimitas tenham errado). Esta sua oposição trouxe grande baixa e prejuízo ao povo de Deus.

Estes dois combates podem ser comparados ao que aconteceu em Atos 15. O primeiro combate ali foi contra os adversários, que queriam introduzir ensinos errados no meio do povo de Deus (At 15:1, 2). Este exemplo deve ser seguido. Mas o segundo combate foi entre os próprios defensores, dois grandes amigos (At 15:36-40). Este exemplo deve ser evitado.

Mas antes de terminar, convém notar coisas positivas em Jefté. Se há dois combates nos quais ele se mostrou oponente, também há duas qualidades a respeito das quais ele se mostrou moldável.

b) Duas qualidades.

i) Diante dos homens. Jefté era um “homem valoroso” (Jz 11:1). A mesma qualidade destacada em Gideão (Jz 6:12). Como é diferente o testemunho onde os homens podem ver valores eternos num homem e numa mulher de Deus!


ii) Diante de Deus. “Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté…” (Jz 11:29). Não foi a coragem, o poder bélico ou as estratégias de guerra que deram a vitória a Jefté e ao povo de Israel. Foi o Espírito de Deus. Como progride a obra do Senhor quando entendemos que não é “por força nem por violência, mas sim pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos” (Zc 4:6)!

Pela fé - Sansão

Sansão é o décimo terceiro nome mencionado em Hebreus 11 como os que fizeram alguma coisa pela fé (v. 32). Comparando sua menção aqui com o relato de sua vida em Jz 13-16, podemos perceber três coisas principais em sua vida.

a) Sua força. O nome “Sansão” quer dizer “pequeno sol” (ou “ilustre”, “forte”), e nos faz lembrar da força irresistível que o Sol tem (Jz 5:31). Nas três ocasiões quando o “Espírito do Senhor se apossou dele” (na outra ocasião o Espírito o incitava – Jz 13:25), temos ilustrações da força física que Sansão tinha:

i) para matar um leão (Jz 14:6);
ii) para matar trinta homens (Jz 14:19);
iii) para rebentar cordas novas (Jz 15:14).

b) Sua fraqueza. Lamentavelmente, Sansão também mostrou fraquezas. Se três vezes a Bíblia enfatiza que o Espírito do Senhor se apossou dele, também lemos de três mulheres em sua vida, cada uma das quais mostrando a fraqueza que ele tinha:

i) uma mulher dos filisteus (Jz  14:1);
ii) uma mulher prostituta (Jz 16:1);
iii) Dalila, que o traiu (Jz 16:4).

c) Sua fé. Mas, apesar da fraqueza, o nome de Sansão é mencionado em Hebreus 11, como um dos que fizeram alguma coisa pela fé, e sua fé pode ser evidenciada nas duas únicas ocasiões em que lemos dele orando e confiando em Deus para lhe dar o que precisava:

i) quando estava desfalecendo de sede e pediu a Deus que lhe desse água (Jz 15:18, 19);
ii) quando pediu a Deus que o fortalecesse só mais uma vez (Jz 16:28).

Há, ainda, outro detalhe importante sobre Sansão que precisa ser destacado. A primeira vez que lemos do Espírito do Senhor sobre Sansão, ele estava num lugar entre Zorá e Estaol (13:25). Foi exatamente neste lugar que Sansão foi enterrado (16:31). O lugar do começo promissor, foi também o lugar do fim trágico do mais forte dos juízes!

A lição é clara, solene e atual. O Espírito Santo é a Pessoa divina que fortalece nas fraquezas e capacita para vencermos a carne. Mas se confiarmos em nós mesmos, a carne é que nos vencerá, e o que antes foi indício de um bom servo de Deus, pode vir a ser o fim de uma vida útil.


Mas este artigo, e nossas vidas, não precisam terminar lembrando das fraquezas desse homem forte. Precisamos lembrar que ele orou ao Senhor pedindo ajuda. E é assim que sempre deve ser conosco. Mesmo nos dias de maiores vitórias, clamemos o socorro de Deus como nos dias de maiores fraquezas. “Porque quando estou fraco então sou forte” (II Co 12:10).

Pela fé - Baraque

Surpreende ver o nome de Baraque aqui em Hebreus 11:32, e não o de Débora. No entanto, precisamos reconhecer a sabedoria de Deus nisso. O nome Baraque quer dizer “relâmpago” e neste nome está um dos segredos de sua fé e do poder de Deus.

O inimigo do povo de Deus naqueles dias tinha “novecentos carros de ferro” (Jz 4:3). Quando Baraque reuniu os homens para combater contra Sísera (4:10), este reuniu todos os seus carros para o combate (4:13), mas teve que descer e fugir a pé, enquanto Baraque perseguia os carros que ficaram (4:15, 16).

Se Sísera tinha tantos carros, por que fugiu a pé? Se era fisicamente mais bem preparado do que Baraque, por que foi derrotado?

A resposta às perguntas acima se encontram nas palavras cantadas depois da vitória: “Desde os céus pelejaram…”, “o ribeiro de Quisom os arrastou…”, “os cascos dos cavalos se despedaçaram…” (5:20, 21, 22). Parece que no dia da batalha houve uma chuva torrencial, de tal forma que o ribeiro transbordou e a lama que se formou imobilizou os carros de Sísera. Não podendo mais contar com sua maior força, ele teve de descer de seu carro e fugir a pé. A chuva foi providenciada por Deus. Na verdade, “o Senhor derrotou a Sísera” (4:15).

Em pelo menos três cânticos diferentes faz-se referência à autoridade de Deus para usar fenômenos como chuvas, trovões e relâmpagos para derrotar os inimigos.

Débora e Baraque: “Desde os céus pelejaram…” (Jz 5:20).
Ana: “Desde os céus trovejará sobre eles…” (I Sm 2:10).
Davi: “Trovejou desde os céus o Senhor…” (II Sm 22:14).

Os relâmpagos são feitos por Deus (Jr 51:16) e são pequenas amostras de Seu poder irresistível (Sl 97:4). Quando o povo de Israel temeu ser derrotado pelos filisteus, Deus fez trovejar sobre eles e os derrotou (I Sm 7:10). Depois, para demonstrar sua insatisfação com o povo por ter pedido um rei, Deus deu trovões e chuvas (I Sm 12:17, 18).

De cima, Deus enviou chuvas e relâmpagos. De baixo, Ele enviou o exército de Israel e Baraque, o Seu “relâmpago” humano. Apesar da resistência inicial, Baraque creu em Deus e foi usado na terra como um relâmpago temível.


Quão grandes coisas Deus pode fazer através de um servo que confia nEle!

Pela fé - Gideão

Depois de destacar vários nomes e os feitos fiéis dos servos de Deus no passado, o escrito aos Hebreus agora cita mais seis nomes sem dizer exatamente qual ponto de suas vidas está em evidência (Hb 11:32). Para não ir além do que está escrito, vamos apenas tentar relacionar o significado dos nomes a algum feito de fé das pessoas citadas aqui.

O primeiro desta lista (de nomes, apenas) é Gideão. Seu nome quer dizer “cortador, lenhador”. Este significado está intimamente relacionado aos episódios em que ele precisou “cortar” alguma coisa. Veja três exemplos.

a) Relacionado ao culto – Jz 6:25-32. Numa mesma noite o Senhor falou com Gideão duas vezes. Na primeira o encorajou. Na segundo o comissionou. Obedecendo à ordem do Senhor, Gideão derrubou o altar de Baal e cortou o bosque que estava ali. Como resultado disso, parece que seu próprio pai se converteu e iniciou uma volta gradual ao culto a Deus.

b) Relacionado à coragem – Jz 6:27; 7:9-15. Gideão não era um homem valente, como às vezes costumamos pensar. Por medo ele derrubou o altar de Baal e cortou o bosque à noite (6:27), e sentia alguma insegurança diante da multidão de inimigos (7:10). Era um homem de valor (“valoroso” – 6:12), não valente. Seu temor precisou ser cortado, para dar lugar à confiança.

c) Relacionado à conquista – Jz 7:2-7. O número do exército inimigo era extremamente grande. Cerca de cento e trinta e cinco mil homens (8:10). Eram, de fato, como “gafanhotos em multidão; e eram inumeráveis os seus camelos, como a areia que há na praia do mar” (7:12). Este número se contrasta, claramente, com os trinta e dois mil que estavam com Gideão. Mas ele precisou cortar este número ainda mais. Seu exército foi reduzido para dez mil e depois para trezentos homens. Um número insignificante, considerando-se o número das fileiras inimigas. Mas este corte trouxe glória para Deus.

E é desta forma que devemos encarar nossa vida cristã, aqui. Precisamos fazer cortes. É nosso dever cortar tudo o que podemos adorar que não seja o próprio Deus. É nosso dever cortar o medo e falta de confiança nAquele que nos salvou. É nosso dever cortar qualquer coisa que dará alguma glória a nós pelos feitos de Deus.


Nas palavras do salmista, “não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Teu Nome dá a glória” (Sl 115:1).

Pela fé - Raabe

Raabe é a segunda, de apenas duas mulheres mencionadas pelo nome aqui em Hebreus 11, que fizeram alguma coisa pela fé, e a única que não fazia parte da nação de Israel. Há três coisas aqui em Hb 11:31 que precisam ser destacadas:

a) Imoralidade: “… Raabe, a meretriz”. Como é impressionante esta identificação aqui. A Bíblia está literalmente dizendo “pela fé… a meretriz”. Isso quer dizer que para Deus não há acepção de pessoas. Não importa se é homem ou mulher; não importa se a vida fora caracterizada por extrema imoralidade ou por exemplar pureza. Se a pessoa está disposta a crer, Ele a salvará.

b) Incredulidade: “… não pereceu com os incrédulos”. O povo a que Raabe pertencia pereceu. Eles não foram destruídos por serem imorais, nem Raabe foi salva por ser decente. Raabe era uma meretriz, e é possível que a maioria das pessoas em Jericó não praticassem a prostituição. Eles pereceram porque eram incrédulos. Não é uma vida casta que leva uma pessoa ao Céu, é a fé em Cristo; e não é uma vida imoral que a conduzirá ao inferno, é a falta de fé em Cristo.

c ) Identificação: “… acolhendo em paz os espias”. Raabe acolheu em paz e segurança os espiais, porque ela creu no Deus que esses espias serviam. Ela já tinha ouvido dos grandes feitos que Deus tinha realizado diante do Mar Vermelho e diante de poderosas nações (Js 2:9-11). Sabendo disso, preferiu se identificar e acolher em paz aqueles homens para que fosse acolhida pelo Deus de paz (Rm 15:33).

Não podemos ignorar as lições tão sérias ensinadas nessas poucas palavras. Repare alguns detalhes ensinados aqui que têm aplicação atual.

Em primeiro lugar, Deus não faz acepção de pessoas. Ou, usando a linguagem das grandes manifestações atuais, Deus não é preconceituoso. Não importa se é prostituta, bêbado ou homossexual, Ele quer salvar a todos (I Tm 2:3, 4).

Em segundo lugar, Deus não abre exceções. A Sua justiça já estabeleceu que uma pessoa será salva pela fé no Senhor Jesus Cristo (Jo 3:36). Não importa se a pessoa foi boazinha ou má; se viveu uma vida religiosa ou ímpia; se era filho de crente ou se pouco ouviu falar de coisas espirituais. Toda pessoa, e qualquer pessoa, sem exceção, só será salva pela fé no Senhor Jesus.

Em terceiro lugar, Deus não muda em relação ao pecado. O Senhor Jesus perdoou pessoas que haviam cometido pecados terríveis, mas nunca aprovou suas práticas nem admitiu que continuassem do mesmo jeito. Pelo contrário, as advertia para que não continuassem envolvidas naquilo (Jo 5:14; 8:11, etc.)


Nunca devemos desprezar as pessoas, independentemente da vida que vivam. Deus não nos desprezou quando fomos salvos. Por outro lado, nunca devemos concordar com os pecados das pessoas, independentemente do apelo emotivo que a sociedade nos faça. Deus não aprova os nossos, apesar de sermos salvos.

Pela fé - a conquista de Jericó

Poucas coisas são tão ridículas à lógica do que a conquista de Jericó. Para a fé, porém, poucas coisas são tão normais como a conquista de Jericó. Em Hb 11: 30, o Espírito Santo separou o evento narrado em Js 6 como um dos exemplos de fé. Os detalhes desse evento ensinam verdades tão atuais, que parecem ter acontecido hoje.

A cidade de Jericó precisava ser conquistada pelo povo de Israel, mas esta não seria uma tarefa fácil. A cidade contava com muros tão fortes que até uma casa podia ser construída em cima deles (Js 2:15).  Além disso, a cidade estava rigorosamente fechada (Js 6:1). Era praticamente impossível derrubar seus muros ou arrombar suas portas. No entanto, três grupos de sete mostram a perfeição dos métodos de Deus. Josué deveria separar sete sacerdotes, com sete trombetas e rodearem a cidade por sete dias (sendo que no sétimo, rodeariam sete vezes). Repare que é esta atitude, de rodear sete vezes, que é mencionada em Hb 11:30.

Fazendo estas coisas, o povo de Israel mostraria sua disposição em obedecer e confiar em Deus, e o povo de Jericó ficaria ainda mais amedrontado por causa da nação que os rodeava (Js 2: 9-11). Os muros caíram não pela força de homens que podiam derrubá-los, nem por armas que poderiam abrir grandes brechas nele. Caíram pelo milagre que Deus operou por causa da obediência do povo.

Como é necessário nos lembrarmos disso hoje! O mundo está estabelecendo leis que aparentemente destruirão a moral e a vida da família. Nossa luta, porém, não é física (Ef  6:12) e nossas armas também não (II Co 10: 4). Não podemos lutar contra o mundo usando a política, a passeata, o plebiscito, etc. Não é gritando a plenos pulmões que o muro do pecado mundial cairá; no nosso caso, ele caíra pela oração (I Tm 2:1, 2) e pela fé (I Jo  5:4).

oração silenciosa feita por um homem de fé dentro de um quarto, é cem vezes mais poderosa do que duas bombas atômicas emitidas por uma grande potência mundial.


Você crê nisso?