segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Pela fé - Isaque

O exemplo de fé que o Espírito Santo selecionou sobre a vida de Isaque está relacionado à bênção que este deu a seus filhos. As palavras de Hb 11:20 são paralelas a Gn 27:1-29. Repare três detalhes e uma lição sobre esta bênção.

Primogenitura – Esaú e Jacó. “Pela fé Isaque abençoou …”. Os judeus davam muita importância à benção da primogenitura. Primogênito era o primeiro filho de uma família. “Ele recebia a bênção familiar especial, o que significava liderança espiritual e social e uma porção dupla das posses do pai – ou duas vezes o que todos os outros filhos recebiam (Dt 21:17)” (Dicionário Vine, pág. 246). Embora fossem gêmeos, Esaú nasceu primeiro. Portanto, ele era o primogênito.

Posição – Jacó e Esaú. “Abençoou Jacó e Esaú …”. A afirmação acima, porém, se torna estranha quando lemos a ordem em que os nomes são mencionados em Hebreus: primeiro Jacó, depois Esaú. A resposta a esta aparente contradição se encontra nas palavras que Deus disse sobre eles: “O maior servirá ao menor” (Gn 25:23). Deus quis que a posição de cada um fosse essa. Esta decisão da parte de Deus não foi baseada na vida que cada um levou; foi baseada na Sua graça, antes mesmo de nascerem (Gn 25: 22, 23; Rm 9:11, 12).

Propósito. “Abençoou … no tocante as coisas futuras”. Este versículo revela que, ao abençoar, Isaque tinha mais do que simplesmente dividir suas posses entre os filhos. Ele estava pensando na promessa de Deus feita a Abraão e confirmada a ele mesmo (Gn 26:2-5). Para Isaque, esta promessa dizia respeito à posse da terra e a uma grande nação. Para Deus, além da terra e da descendência, a promessa incluía a árvore genealógica do Senhor Jesus, pois Ele descenderia de Jacó, não de Esaú (Mt 1:1, 2; Lc 3:34).


Uma herança pode representar o maior legado que um pai pode deixar para seus filhos. Mas orar para que sejam salvos e cria-los “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6:4) é a maior bênção que os pais devem deixar para seus filhos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pela fé - Abraão (iv)

O relato de Hb 11:17-19 é paralelo ao de Gn 22. Em ambos os trechos a Bíblia ressalta um dos eventos mais dramáticos e emocionantes de toda a Palavra de Deus, bem como o quarto e último altar de Abraão. É também nestes trechos que encontramos três dos muitos assuntos que estão espalhados pela Bíblia, mas que ocorrem pela primeira vez no livro de Gênesis: provação, ressurreição e adoração.

Sua aprovação: “Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado” (Hb 11:17). O relato de Gênesis diz literalmente que “provou Deus a Abraão” (Gn 22:1). Esta é a primeira vez na Bíblia que encontramos o verbo “provar”, e aqui é Deus quem está provando. Sabemos que Ele não pode ser tentado e, portanto, não tenta a ninguém (Tg 1:13), mas Deus provou a Abraão porque queria  ver sua obediência e fé (Gn 22:12). Abraão foi aprovado!

Sua afirmação: “Eu e o moço tornaremos a vós” (Gn 22:5). Abraão sabia que estava indo sacrificar seu filho e sabia que sacrificar significava matar. Por que, então, ele afirmou que tanto ele quanto Isaque voltariam? Hb 11:18 explica: “Considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar”. Ele sabia que Deus havia dado a ele um filho através de sua capacidade física amortecida (Hb 11:12) e do ventre amortecido de Sara (Rm 4:19). Ou seja, se o filho nasceu de capacidades mortas, porque não poderia reviver “dentre os mortos?” O curioso é que não há nenhum registro de ressurreição antes disso. Ele creu em algo que nunca antes havia acontecido!

Sua adoração: “Havendo adorado, tornaremos a vós” (Gn 22:5). Esta é a primeira vez na Bíblia que o verbo adorar é usado em relação a Deus (e também a primeira vez que aparece nas versões em Português). Exatamente no quarto e mais dramático altar de Abraão, Deus registra sua adoração. Aqui aprendemos um pouco sobre o que é adorar a Deus – é dar algo precioso para Ele. Na primeira adoração no VT, Abraão está dando Seu filho a Ele; na primeira adoração no NT, os magos estão dando dádivas ao Senhor Jesus (Mt 2:2, 11).


Se queremos sacrificar algo para adorar a Deus, não podemos dar o que não nos custa nada (I Cr 21:24).

Pela fé - Abraão (iii)

As duas primeiras vezes em que a expressão “pela fé” estão associadas a Abraão, se referem à terra que Deus lhe havia prometido e a sua posse dela. Nas outras duas vezes, se referem ao descendente de Abraão e ao número incontável que viria dele. Aqui em Hb 11:11, 12, encontramos a participação de Sara e a associação do terceiro altar de Abraão nas promessas de Deus.

Dificuldade – “Pela fé também a mesma Sara … deu a luz já fora da idade”. Quando Deus fez a promessa a Abraão de que Sara teria um filho dele, três coisas físicas pareciam dizer que isso seria impossível: ela era estéril (Gn 16:1, 2); já tinha noventa anos (Gn 17:17); já não mais ovulava (Gn 18:11). Mas a pergunta do Senhor a ela foi: “Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?” (Gn 18:14).

Dependência – “Teve por fiel Aquele que lho tinha prometido”. Ela entendeu que o cumprimento da promessa não dependia das suas condições físicas, mas sim, da fidelidade de Deus, porque “fiel é o que prometeu” (Hb 10:23).

Descendência – “Por isso também de um”. Quando Deus chamou a Abraão, ele era só, ou seja, não tinha filhos, mas o Senhor o multiplicou (Is 51:2). A expressão “como as estrelas do céu” está relacionada a Gn 15:5. Já a expressão “como a areia inumerável que está na praia do mar” está relacionada a Gn 13:16. Foi no contexto desta última que Abraão ergueu seu terceiro altar ao Senhor (Gn 13:18). Este altar evidenciava sua confiança nas promessas de Deus.


Abraão e Sara nos ensinam lições importantes neste trecho. Somos capazes de adorar a Deus quando vemos o cumprimento de Suas promessas. Mas será que O adoramos mesmo quando as circunstâncias nos são contrárias e o cumprimento de Suas promessas ainda não chegaram a nós?

Pela fé - Abraão (ii)

Em hebreus 11:9, 10 encontramos mais algumas importantes informações sobre Abraão. Aqui, pela segunda vez, seu nome é associado à expressa “pela fé” e a ocasião citada nos faz lembrar o segundo altar que ergueu. Vamos considerar três coisas que Abraão fez.

Abnegou. “Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia”. Mesmo já habitando na terra que lhe fora prometida, Abraão não se estabeleceu ali como se fora sua morada permanente. Ele abriu mão de se envolver nos interesses daquela terra, vivendo como nômade. Ele não exigiu seus direitos como verdadeiro proprietário. Muito pelo contrário, viveu “como nada tendo, e possuindo tudo” (II Co 6:10).

Aguardou. Se Deus lhe prometeu aquele terra, porque Abraão não se acomodou, já que tinha chegado ao lugar? “Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o Artífice e construtor é Deus”. Ele sabia que Deus havia prometido aquela terra, mas sabia muito mais que Deus havia preparado uma cidade! Na terra da promessa, estava disposto a viver por toda a sua vida como peregrino, mas na cidade que tem fundamentos aguardava para viver pela eternidade, como cidadão. Quando lembramos que temos uma cidade nos céus, esta terra onde habitamos se torna um mero e provisório lugar (Fp 3:20).

Adorou. Em Gn 12:8 aprendemos que Abraão armou a sua tenda entre Betel (“a casa de Deus”) e Ai (“um monte de ruínas”). E neste mesmo lugar ergueu o segundo dos quatro altares que erguera em sua vida. Em relação a terra, vivia como um peregrino. Em relação a Deus, vivia como um adorador. Mesmo depois que desceu ao Egito por causa da fome (um tropeço em sua vida), Deus o fez retornar ao mesmo lugar e se envolver com a mais sublime das ocupações (Gn 13:3, 4).


Enquanto não chegamos à nossa pátria, precisamos nos abnegar, aguardar e adorar. Só assim o mundo entenderá que estamos aqui, mas não somos daqui (Jo 17:11, 16)!

Pela fé - Abraão (i)

Abraão é o quarto homem mencionado como exemplo de fé, aqui em Hebreus 11 (v. 8). Um detalhe interessante a respeito dele é que ergueu quatro altares registrados em Gênesis, e cada uma das quatro vezes em que ele é associado à expressa “pela fé”, parece destacar um destes altares. Aqui veremos o primeiro deles

Sua conversão. Em Js 24:2, 3 temos uma afirmação impressionante a respeito de Abraão e sua parentela: “serviram a outros deuses”. Olhando mais de perto, porém, percebemos que isso aconteceu antes de conhecer ao Senhor. Em At 7:2, temos uma expressão que ocorre apenas duas vezes em toda a Bíblia “o Deus da glória” (a outra ocasião está em Sl 29:3). Esta expressão em Atos está associada a Abraão (“o Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão”). Sem dúvida isso é um extremo contraste. Enquanto servia aos seus deuses, o Senhor apareceu a Abraão como o “Deus da glória”, e ele converteu-se ao Senhor.

Seu chamado. “Sendo chamado, obedeceu”. Embora tenha se convertido, Abraão não era o único homem que servia a Deus naquela época. Lemos sobre Melquisedeque, um “sacerdote do Deus altíssimo” (Gn 14:18-20) e é possível que Jó também tenha vivido nesta mesma época (ele viveu depois do Dilúvio – Jó 22:16 – e a forma patriarcal como conduzia sua família sugere que tenha vivido antes da Lei). Seu chamado, portanto, não foi por falta de homens fiéis, mas porque Deus usa a quem, como e quando Ele quer! Mas o que se destaca aqui é que ele obedeceu!

Sua confiança. “E saiu, sem saber para onde ia”. Ele nunca havia visto a terra que lhe fora prometida. Sua confiança foi plenamente depositada no Senhor.

Sua consagração. Em Gn 12:7, Abraão ergueu um altar. Dos quatro que ergueu em sua vida, este foi o primeiro. Como forma de evidenciar sua confiança nAquele que o chamou, ergueu um altar em adoração ao “Deus da glória”.


Nós não somos os únicos servos de Deus aqui neste mundo, e provavelmente não somos os mais fiéis, mas que maravilha saber que Ele quer nos usar. Resta saber se obedeceremos.

Pela fé - Noé

Noé é o terceiro homem mencionado como exemplo de vida de fé (Hb 11:7). Juntando as informações que a Bíblia nos dá a respeito dele, podemos citar três coisas positivas.

A sua preparação. Em Hb 11:7 a expressão “avisado das coisas que ainda não se viam” parece indicar que inundações não eram conhecidas. Ele teria de preparar algo nunca antes feito, para ser usado em algo nunca antes testado. Assim como antes do dilúvio o mundo não conhecia inundações, também antes da Arca o mundo não conhecia embarcações. Mas ele não foi deixado ao sabor de sua imaginação – Deus lhe deu o modelo. Seu projeto era pioneiro, e em meio a uma geração completamente rebelde (Gn 6: 5, 11, 12) sua fidelidade ao modelo seria importantíssima (Gn 6:22).

Devemos sempre lembrar também que uma igreja local é completamente diferente dos projetos que o mundo já inventou. Nunca devemos, portanto, imitar suas ideias. Devemos, sim, ser fiéis ao projeto que Deus estabeleceu.

A sua pregação. Noé era “pregador da justiça” (II Pe 2:5 – Versão Atualizada). Sem dúvidas, durante todo o tempo de preparação da Arca, Noé anunciava o juízo de Deus sobre a Terra. Repare um contraste com a pregação de Jonas. Noé pregou por muito tempo, mas apenas oito pessoas foram salvas (I Pe 3:20). Jonas pregou por pouco tempo e milhares de pessoas creram (Jn 3:3, 10). No entanto, o nome de Noé está aqui em Hebreus 11, já o nome de Jonas não está. Isto nos ensina que não é a quantidade de resultados que revelam se fizemos bem ou não o serviço. É nossa obediência que revela nossa fidelidade.

É importante notar também que Noé construiu a Arca não apenas como resposta à ordem do Senhor, mas também “para salvação da sua família” (Hb 11:7). Quantas vezes nos preocupamos mais com a salvação de desconhecidos do que com a salvação da nossa família. Somos mais dispostos a pregar para povos distantes do que para nossos filhos. Ficamos mais satisfeitos se um desconhecido dá atenção ao Evangelho do que pessoas de nossa casa. Convém que seja assim? Não! Não devemos diminuir nossos esforços para pregar aos desconhecidos, mas enquanto fazemos isso devemos aumentar nossos esforços para pregar aos que estão em nosso lar.


A sua preservação. Existe também um contraste interessante entre Noé e Enoque. Enquanto Enoque foi salvo antes do dilúvio, Noé foi salvo durante o dilúvio. Enoque ilustra a Igreja, que será arrebatada deste mundo antes da Tribulação. Noé ilustra os muitos judeus que serão salvos durante a Tribulação. Em tudo isso vemos a bondade do Senhor. Ele não deixa de ser justo, derramando sua ira, mas também não deixa de ser bondoso, preservando o justo.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Pela fé - Enoque

Enoque é o segundo homem mencionado como exemplo de fé (Hb 11:5). Sua vida está cheia de lições práticas para nós. Para Abraão Deus disse “anda em Minha presença” (Gn 17:1), mas Enoque é um dos dois homens no VT a respeito de quem a Bíblia diz que andava com Deus (Noé foi o outro – Gn 5:22:, 24; 6:9). Além disso, ele é um dos dois homens no VT que foram tirados deste mundo “para não ver a morte” (Hb 11:5; o outro foi Elias – II Rs 2:11).

Sua vida pode ser resumida desta forma:

Sua conversão. Ele viveu 365 anos (Gn 5:23), exatamente o tempo de dias que temos em cada ano. Mas convém notar que de todo o tempo de sua vida, ele andou apenas 300 anos com Deus (Gn 5:22). Não sabemos exatamente o que ele fez nos primeiros 65 anos de vida, mas uma coisa fica clara: independentemente da forma como tenha vivido, este tempo não foi caracterizado por andar com Deus. Houve um tempo quando Enoque se converteu e começou a andar com o Senhor.

Sua conduta. Aos 65 anos duas coisas aconteceram e mudaram completamente a vida de Enoque. Primeiro, seu filho Matusalém nasceu. Segundo (provavelmente por causa da profecia que seu filho representava), ele se converteu. A partir daí, os próximos 300 anos de vida foram caracterizados por uma conduta extremamente agradável ao Senhor.

Seu conhecimento. O nome de seu filho, “Matusalém”, quer dizer “quando morrer, virá”. Mas, virá o que? Calculando a idade de Matusalém com a ocasião do dilúvio (veja Gn 5:25-29; 7:6 – calcule 187+182+600=969), percebemos que quando Matusalém tinha 969 anos, morreu; foi exatamente neste ano que veio o dilúvio. O filho de Enoque marcava a ocasião quando o dilúvio viria sobre a Terra. De alguma forma, Enoque teve conhecimento a respeito disso, o que o fez se converter e andar mais dignamente diante de Deus.

Talvez Enoque não soubesse quando seu filho morreria, mas sabia que quando seu filho morresse, o juízo de Deus viria sobre a Terra. Eu e você também não sabemos quando o Senhor Jesus virá, mas sabemos que ele virá (Jo 14:3). A revelação deste evento futuro deve causar efeito na nossa vida.

Sabendo que Cristo virá, devemos viver de uma forma que O agrade quanto mais “em santo trato e piedade”, desejando ser por Ele “achados imaculados e irrepreensíveis em paz” (II Pe 3:11, 14). Enoque viveu 300 anos andando com o Senhor. Será que eu e você conseguimos viver 50?

Sabendo que Cristo virá, devemos pregar o Evangelho com mais urgência, por causa do juízo de Deus que cairá sobre a Terra e sobre aqueles que nela estiverem (Jd vs. 14, 15). Curiosamente, Matusalém, o homem que marcava a ocasião do juízo de Deus, é exatamente o homem que viveu mais tempo na Bíblia. Será que isso não está ensinando sobre a longanimidade de Deus (II Pe 3:9, 10)? O senhor não quer que os homens pereçam, por isso continua sendo paciente. Mas, paciência não quer dizer atraso.


Vivamos o Evangelho e preguemos o Evangelho, para que nós e os incrédulos não sejamos surpreendidos naquele dia. Não perderemos a salvação, mas podemos não ganhar muita coisa que pensávamos que ganharíamos (II Jo v. 8).

Pela fé - Abel

Abel é o primeiro dos nomes mencionados como exemplo de fé (Hb 11:4). Embora a Bíblia fale pouco a respeito dele, as informações que nos dá nos ensinam verdades profundas.

Quero citar aqui dois fatos curiosos e importantes.

a) Era justo. Existem apenas 9 pessoas na Bíblia que são chamadas de justas, 1 no VT e 8 no NT. Das 8 do NT, 2 pertencem ao VT, Abel  e Ló (Mt 23:35; II Pe 2:7, 8). Fica evidente, portanto, que Abel era justo.

b) Era justo pela fé. Caim e Abel foram as duas primeiras pessoas que nasceram de uma forma natural neste mundo. Sem dúvida, ambos receberam as mesmas instruções sobre a vida e sobre Deus. Mas se mostraram bem diferentes quando decidiram levar um sacrifício ao Senhor. Ambos basearam a sua fé em sacrifícios, mas a diferença estava no tipo de sacrifício de cada um. Caim confiou num sacrifício de si (pelo esforço próprio). Abel confiou num substituto para si.

A justiça de Abel ilustra a forma como nós também nos tornamos justos. Por um lado, nossos pecados foram punidos em Cristo; por outro lado, a justiça de Cristo nos foi imputada pela fé que depositamos nEle (II Co 5:21).


A fé no sacrifício certo (sobre a cruz) faz com que imundos pecadores, como nós, se tornem justos!

Pela fé - criação

Pela fé - introdução

O capítulo 11 da carta aos Hebreus, além de ser o mais extenso da epístola, é também o que reúne mais exemplos de homens e mulheres que confiaram nAquele que é o Autor e Consumador da fé (Hb 12:2). A expressão “pela fé” ocorre 20 vezes neste capítulo. É ela quem demonstra como os antigos viveram.

Os dois primeiros versículos formam a introdução. O versículo 1 não é uma definição do significado da palavra “fé”; é uma definição do que a fé faz conosco. Os “antigos”, no versículo 2, são os homens e mulheres do tempo do Velho Testamento que viveram por fé. Estes dois versículos falam de pelo menos três assuntos:

Certeza – “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam”. Se esperamos alguma coisa é por que ainda não a temos em mãos. Mas a fé nos dá tanta certeza que teremos, que vivemos como se já a tivéssemos.

Convicção – “e a prova das coisas que se não veem”. O mundo, na sua incredulidade, diz: “Ver para crer”. A fé, por outro lado, diz: “Se creres, verás” (Jo 11:40).

Conquista – “Porque por ela os antigos alcançaram testemunho”. A palavra “alcançaram” transmite a ideia de algo que foi buscado e conquistado. Os antigos buscavam a aprovação de Deus, e a conquistaram pela fé.


Como é diferente o povo de Deus: tem o que ainda espera, fecha os olhos para enxergar, conquista sem lutar. Não precisamos ver, ter e sentir para crer. Cremos. Isto basta!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Reunidos para piorar

Imagine comigo a seguinte situação: Você acabou de sair do serviço após um dia extenuante e cheio de exigências. As pressões do mercado de trabalho e a concorrência de outras empresas fazem com que os teus superiores exijam de você bem mais do que é justo. No caminho para casa, porém, você lembra que naquela noite haverá reunião da igreja. "Que ótimo!", você pensa. "Como será bom encontrar com meus irmãos, ouvir a exposição da Palavra de Deus e ser revigorado depois de tanta injustiça do mundo". Pensando assim, você se apressa para casa, se apronta para a reunião, chega com antecedência ao salão e, estranhamente, percebe que o ambiente não é exatamente o que você esperava que fosse. Os irmãos estão com uma cara fechada, o pregador parece estar com raiva e no final, todo mundo parece desconhecido. Você, então, volta para casa se sentindo bem pior do que quando chegou àquela reunião.

Será que é possível este tipo de coisa acontecer entre os crentes? Sim, infelizmente é possível! 

Em I Coríntios 11 há duas expressões que dividem o capítulo. No versículo 2, os Coríntios foram louvados. No versículo 17, porém, foram repreendidos. Por que houve esta mudança? Porque “vos ajuntais, não para melhor, senão para pior”, disse Paulo. As reuniões da igreja em Corinto não estavam sendo caracterizadas por edificação e bênção; estavam sendo caracterizadas por desavenças e decepções.

Como é triste ver este mesmo problema acontecer nas igrejas, hoje. As dissensões entre irmãos (v. 18) fazem com que as reuniões se tornem ambientes de ataque e combate, não de amor e comunhão. Talvez o irmão que ensina prepare sua mensagem para atacar outro que não concorda com ele. Quem sabe uma irmã se vista de modo a causar inveja em outra com menos recursos. É possível que alguém ignore e não cumprimente outro que lhe tenha ofendido. Estes e outros problemas desgastam a igreja, de modo que os irmãos saem da reunião numa condição pior do que entraram.

Cada um deveria perguntar a si mesmo: “Minha presença e participação nas reuniões tem contribuído para melhorar ou para piorar a situação espiritual dos meus irmãos?”

Já bastam as tribulações e perseguições que sofremos do mundo. Nas reuniões, precisamos ser edificados, revigorados e animados!

Nossa luta - espada do Espírito

A sexta peça na armadura é a “espada do Espírito” (Ef 6:17). Esta é a única peça que parece ser para ataque. No entanto, a palavra traduzida aqui por “espada” (machaira) quer dizer “espada pequena, punhal” (W. E. Vine). A ideia, portanto, não é a de atacar o inimigo, mas se defender dos ataques dele.

Esta espada é “a Palavra de Deus” citada, não de forma aleatória, mas conforme a necessidade do momento. Temos um exemplo disso na ocasião quando o Senhor Jesus foi provado pelo diabo. Ele a usou para defender-Se das sugestões do inimigo (Mt 4:1-11).

Isso nos ensina que um cristão que conhece a Palavra de Deus, quando tentado, não cita versículos fora de contexto e sem sentido à ocasião. Muito pelo contrário, ele a maneja bem, encaixando os assuntos em suas devidas referências, deixando o inimigo envergonhado e derrotado.


“Eu vos escrevi, jovens, porque … a Palavra de Deus está em vós, e já venceste o maligno” (I Jo 2:14).

Nossa luta - capacete da salvação

A quinta peça na armadura é o “capacete da salvação” (Ef 6:17). O capacete protege a cabeça, e neste versículo, o sentido parece ser proteção da mente. Sendo que esta parte está ligada à “salvação”, então parece correto afirmar que o capacete, aqui, protege nossa mente de dúvidas relacionadas à salvação.

Lembrando que em todo este trecho o inimigo que nos ataca é chamado de “diabo” (acusador), não é difícil perceber uma cena, aqui:

Um cristão, por descuido ou fraqueza, comete um pecado. Logo, em sua mente surge a dúvida cruel: “Será que ainda permaneço salvo?” O diabo, aproveitando-se da situação, tenta acusá-lo, lançando suas setas malignas para desestimulá-lo ainda mais.

No entanto, tomando o capacete da salvação, este cristão se lembra: “Pela graça sou salvo! Eu estava morto em muitas ofensas, mas Deus me deu vida sem que eu merecesse (Ef 2:5). Sim,pela graça sou salvo! Não veio de mim, é dom de Deus. Não foi por obras, foi pela fé (Ef 2:8, 9). Como posso duvidar disso? Deus me salvou pela graça revelada no Seu Filho, e me mantém salvo pela mesma graça!”


“Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm 5:20); “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1)!

Nossa luta - escudo da fé

A quarta peça na armadura do cristão é o “escudo da fé” (Ef 6:16). Esta é a única das peças da armadura para quem a Bíblia usa a expressão “sobretudo” (por cima de). Isto indica que para chegar às outras peças, os ataques do inimigo teriam que conseguir passar pelo grande escudo, que as protegia.

Este escudo transmite a ideia predominante em toda armadura – defesa. Ou seja, esta armadura não está disponível para que ataquemos nossos inimigos; é para que nos defendamos deles.

Neste versículo, o inimigo e suas armas são identificados. O inimigo é o “maligno” (o “diabo” no v. 11) e seus ataques são “flechas com fogo” (apontando nossas fraquezas, para que desanimemos). Mas a nossa defesa também é enfatizada. Precisamos exercitar nossa fé em tudo que envolve a vida cristã.

Nenhum homem esteve presente na criação do Universo, mas nós cremos que Deus o criou (Jó 38:4). Nenhum dos discípulos que viram Cristo antes e depois da Cruz está vivo para comprovar a ressurreição, mas nós cremos que Ele ressuscitou (I Co 15:1-8, 20). Ninguém sabe quando Cristo virá para nos buscar (Mc 13:32), mas nós cremos que Ele virá (Jo 14:3).


Satanás não vai parar de nos atacar com seus dardos inflamados, mas nenhum deles pode ser mais forte do que esta simples verdade: “Eu creio, Senhor”!

Nossa luta - proteção para os pés

A terceira peça na armadura de Deus disponível ao cristão é uma provisão para os pés (Ef 6:15). A palavra “preparação” (em “preparação do Evangelho da paz”) é interessante. Seu sentido primário é de firmeza (foi traduzida “base”, em Sl 89:14). Mas também quer dizer prontidão, transmitindo a ideia de se estar pronto para executar uma ordem.

Esta peça da armadura, portanto, sugere duas coisas:

a) Proteção. No Salmo 73, Asafa descreve a ocasião quando esteve ocupado com os ímpios sentindo inveja deles, e seus pés quase escorregaram (vs. 2, 3). Ele quase escorregou, mas não caiu, porque entrou no “santuário de Deus” (v. 17). Logo depois, descreve como os ímpios estão em “lugares escorregadios” (v. 18). Esta é a diferença entre o salvo e o incrédulo. O salvo está protegido sobre uma base firme – o Evangelho!

b) Prontidão. Além de estar protegido o salvo tem a responsabilidade de levar o Evangelho a lugares e pessoas que ainda não conhecem, e por meio do Evangelho, levar a paz, o bem e a salvação de Deus (Is 52:7).

Posicionalmente o Evangelho nos protege da condenação do inferno. Na prática, porém, devemos nos “portar dignamente conforme o Evangelho” (Fp 1:27). Por um lado, temos a responsabilidade de pregar o Evangelho. Por outro, temos a responsabilidade de praticar o Evangelho.


Será que nossa vida tem sido um verdadeiro Evangelho?

Nossa luta - couraça da justiça

A segunda peça da armadura que Deus deixou disponível para nós é a “couraça da justiça” (Ef 6:14). A couraça é uma peça que protege partes vitais do corpo, como o coração, por exemplo, e aqui, a “couraça” é a “justiça”.

Mas, justiça de quem?

O Senhor Jesus pode se vestir de Sua própria justiça (Is 59:17). Nele não há nada que o inimigo possa perfurar com acusações. Nós, porém, não podemos nos vestir de justiça própria. Não fomos salvos por “obras de justiça que houvéssemos feito” (Tt 3:5), nem nos mantemos salvos por nossas próprias justiças. Quando lembramos, porém, que em Cristo fomos feitos justiça de Deus (II Co 5:21), entendemos que estamos indestrutivelmente protegidos.


Quando o inimigo vem sussurrando ataques, nos acusando de ter fraquejado numa ou outra área da vida, não precisamos temer por nossa salvação. Devemos lembrar que nossa salvação não depende da nossa fraca justiça; depende da fortaleza da justiça do Senhor.

Nossa luta - Cingir os lombos

A primeira peça da armadura disponível ao cristão é o cinto, com o qual cingirá os lombos (Ef 6:14). As roupas compridas que as pessoas usavam, poderiam se tornar um empecilho quando precisassem andar mais rápido, correr ou, neste caso, lutar. Por essa razão, usavam um cinto mais ou menos na altura da cintura, para manter suas roupas presas.

Aqui no nosso texto esse cinto é a verdade, e a verdade, aqui, é a “palavra da verdade” (Ef 1:13). Há muita coisa neste mundo que serve como embaraço, nos impedindo de obedecer prontamente (Lc 12:35), correr livremente (Hb 12:1) e viver sobriamente (I Pe 1:13). Mas quando estamos cingidos com a verdade, os ataques de Satanás não nos deixam atrofiados.


Convém destacar que não é a verdade que se cinge de nós; somos nós quem nos cingimos dela. Ou seja, não somos nós quem mantemos a verdade em pé, é o contrário!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Nossa luta

O conhecido trecho de Ef 6:10-20 apresenta uma luta que só terá fim quando o cristão não estiver mais aqui neste mundo. Não importa quem vença hoje (se o cristão, se seus inimigos), amanhã a luta continua. Por esta razão, convém estar bem preparados para o combate diário.

Há três detalhes importantes nessa luta:
a) Os adversários – devemos aprender a discerni-los. Nossa luta não é “contra carne e sangue”. Precisamos saber contra quem combatemos.
b) Os ataques – deles devemos saber nos defender. Os inimigos não param de lançar “dardos inflamados”, e se não soubermos nos defender, seremos fatalmente atingidos.
c) A armadura – há uma armadura à disposição, mas devemos deseja-la. Apenas saber que há uma armadura não adianta; é necessário querer usá-la.


Não podemos evitar que venha “o dia mau”, mas podemos evitar cair, quando ele chegar.

Uma vergonha exemplar

Todos nós sabemos que um cristão não deve ter motivos de vergonha em sua vida e conduta. Na verdade, sempre deve haver transparência nas suas intenções, e fidelidade em seu serviço. O servo do Senhor deve apresentar-se a Deus como “obreiro que não tem de que se envergonhar” (II Tm 2:15),  e também deve rejeitar “as coisas que por vergonha se ocultam” (II Co 4:2). Qualquer coisa que traga desonra para o nome de Deus, ou que seja um mal testemunho do caráter cristão, precisa estar bem longe dos Seus filhos. 

Embora isto seja uma verdade bíblica com a qual todos nós concordamos, o escriba Esdras sentiu uma vergonha que todos nós deveríamos sentir também. Ele disse: "Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo pelo caminho; porquanto tínhamos falado ao rei, dizendo: A mão do nossos Deus é sobre todos os que O buscam, para o bem deles; mas o Seu poder e a Sua ira contra todos os que O deixam. Nós, pois, jejuamos, e pedimos isto ao nosso Deus, e moveu-Se pelas nossas orações" (Ed 8:22-23). Esdras havia afirmado para o rei que o Senhor poderia protegê-los na viagem de volta para o seu país. Se ele, agora, confiasse no exército do rei, mostraria que sua confiança em Deus não era verdadeira, ou que Deus não poderia protegê-los. Ele teve, então, vergonha de pedir proteção ao rei e orou.

Este tipo de vergonha é exemplar e muito proveitosa. Se afirmamos alguma coisa que a Bíblia ensina, devemos ter vergonha de não andar em conformidade com aquela afirmação. Como diremos para o incrédulo que Deus supre as nossas necessidades (Mt 6:31-33) se, na prática, agimos como se nosso sustento dependesse de nós? Como diremos que a nossa pátria está nos Céus (Fp 3:20) se, dia a dia, agimos como se fôssemos daqui? Como diremos que a Bíblia é perfeitamente proveitosa para todas as coisas (II Tm 3:16-17) se, tristemente, não a estudamos? Coisas como estas trazem grandes vergonhas para o nome de Deus (Rm 2:24).


Portanto, sejamos como Esdras: se afirmamos alguma coisa sobre o nosso Deus ou a Sua Palavra, tenhamos vergonha de praticar o contrário!

Pedro aquentava-se com eles

Além de descrever a associação de Judas com os que foram prender o Salvador, o capítulo 18 de João também descreve a associação de Pedro com aqueles que, aquentando-se, aguardavam o resultado do Seu julgamento.

Os servos e servidores tinham feito brasas, e “com eles estava Pedro” (v. 18). Se duas vezes lemos que Pedro aquentava-se com aqueles homens (vs 18, 25), três vezes lemos que ele negou que conhecia o Senhor (vs 17, 25, 27).

Judas nos lembra aqueles que, embora vivam próximos ao Salvador, nunca foram salvos e têm coragem de traí-Lo. Pedro nos lembra aqueles que são salvos, mas têm a coragem de nega-Lo. Aquele que esteve alguns instantes antes desfrutando do calor da comunhão com o Senhor e o Seu povo, agora estava aquentando-se ao calor dos prazeres deste mundo.


Se não queremos negar o Senhor, precisamos ter a coragem de enfrentar o frio deste mundo (sendo rejeitados e abandonados) para nos mantermos aquecidos debaixo da comunhão do Senhor.